Joao Tordo · 1,832 followers
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1.2.13
4.12.12
O mal-estar na Civilização II
Depois deste meu post, passei por uma grande superfície comercial e fui espreitar os livros. Eis a ficha técnica:
Tanto quanto sei, os departamentos editoriais das editoras não desenham capas...
Os livros, em si, são objectos agradáveis. Pena é cheirarem a esturro.
Tanto quanto sei, os departamentos editoriais das editoras não desenham capas...
Os livros, em si, são objectos agradáveis. Pena é cheirarem a esturro.
29.11.12
O mal-estar na Civilização
A Civilização acaba de lançar uma nova colecção. Eis o que está no Facebook:
«A Civilização reedita uma coleção de clássicos intemporais que enriquecerão a biblioteca de qualquer pessoa. Clássicos de sempre, da literatura portuguesa e mundial, com capas modernas e atrativas:
- A Queda Dum Anjo | Camilo Castelo Branco
- Jane Eyre | Charlotte Bronte
- O Monte dos Vendavais| Emily Bronte
- A Túlipa Negra | Alexandre Dumas
- Orgulho e Preconceito | Jane Austen
- O Primo Basílio | Eça de Queirós
- Nossa Senhora de Paris | Vítor Hugo
- Madame Bovary | Gustave Flaubert
Os títulos têm um preço muito apelativo, fazendo destes livros uma prenda perfeita para este natal!
Procure-os numa livraria ou hipermercado.»
De imediato, reconheço o grafismo. Tem mais do que meras semelhanças com as capas de outra editora:
«A Civilização reedita uma coleção de clássicos intemporais que enriquecerão a biblioteca de qualquer pessoa. Clássicos de sempre, da literatura portuguesa e mundial, com capas modernas e atrativas:
- A Queda Dum Anjo | Camilo Castelo Branco
- Jane Eyre | Charlotte Bronte
- O Monte dos Vendavais| Emily Bronte
- A Túlipa Negra | Alexandre Dumas
- Orgulho e Preconceito | Jane Austen
- O Primo Basílio | Eça de Queirós
- Nossa Senhora de Paris | Vítor Hugo
- Madame Bovary | Gustave Flaubert
Os títulos têm um preço muito apelativo, fazendo destes livros uma prenda perfeita para este natal!
Procure-os numa livraria ou hipermercado.»
De imediato, reconheço o grafismo. Tem mais do que meras semelhanças com as capas de outra editora:
Estas, as bonitas, foram feitas por Coralie Bickford-Smith para a Penguin Classics. As outras, da colecção Clássicos, não imagino. Terei de consultar um exemplar.
Vês-se bem que não são da mesma autora. Dúvidas houvesse, bastaria comparar as capas dos relógios, a d' O Primo Basílio e a de Oliver Twist. Quem faz uma não faz a outra, e vice-versa.
Além de o design ser uma cópia descarada, o caso assume contornos mais estranhos: a Civilização é detida pela Dorling Kindersley, que, por sua vez, pertence à Penguin almighty.
O que se terá passado aqui, afinal?
O que se terá passado aqui, afinal?
17.10.12
Nome Grande, Letras Largas
Já terão reparado que, quando um escritor é pouco conhecido, o elemento de texto que surge com maior visibilidade na capa é o título. À medida que o nome do autor vai ganhando reconhecimento junto dos leitores, passa a ser esse o elemento destacado. Embora isto não seja uma regra fixa, é o que acontece na maioria dos casos.
Exemplos:
O equilíbrio ora pende para um lado, ora pende para outro, mas as proporções costumam ser respeitadas.
Agora veja-se este absurdo:
Agora veja-se este absurdo:
30.9.12
Avril au Portugal
Há tanto a dizer sobre isto! Os bancos de imagens, o funcionamento dos «ateliers», a manipulação de fotografias, as responsabilidades de um editor, a conturbada relação capa-conteúdo, a promoção de equívocos, o papel do humor na crítica, o diálogo do crítico com o autor...
Gostaria de falar de tudo isto, mas, por ter muito que fazer (não é bem a novela ao lume, mas quase), só posso deixar uma pequena nota:
A editora e a equipa de Cayatte asnearam, António Araújo — e muito bem — apontou. O designer acusou o toque e respondeu. Óptimo. É este o efeito de uma boa crítica.
Há só um problema: a defesa de Cayatte deixa algo a desejar. Passando por cima dos aspectos «isso-não-é-uma-crítica-é-uma-ofensa» e outros, ao fim e ao cabo, o que diz é que lhe pareceu bem — e aos seus clientes — ilustrar um livro sobre o 25 de Abril com uma imagem do Maio de 68 porque, alegadamente, «Paris e o Maio de 68 são aí referência importante». António Araújo afirma que não, que não são referências na obra, e sou levada a acreditar.
Há só um problema: a defesa de Cayatte deixa algo a desejar. Passando por cima dos aspectos «isso-não-é-uma-crítica-é-uma-ofensa» e outros, ao fim e ao cabo, o que diz é que lhe pareceu bem — e aos seus clientes — ilustrar um livro sobre o 25 de Abril com uma imagem do Maio de 68 porque, alegadamente, «Paris e o Maio de 68 são aí referência importante». António Araújo afirma que não, que não são referências na obra, e sou levada a acreditar.
Henrique Cayatte poderia ter dito outra coisa. Que tinha escolhido a imagem por ser evocativa da relação dos protagonistas, por não ter encontrado uma fotografia tão boa como essa, que estava ciente de que havia essa valente discrepância histórica e que a tinha assumido desde o início, que a escolhera por ser bonita, por funcionar na livraria ou por quaisquer outros motivos. A porca torce o rabo é quando se quer convencer o interlocutor de que o conteúdo do livro legitima o uso de uma imagem extemporânea. O livro chama-se Cinzas de Abril e é sobre um par que atravessa os dias da revolução em Portugal. Por muitas voltas que se dê, a acção não é sobre o par a atravessar o boulevard, a ponte 25 de Abril ou qualquer outro tempo ou lugar.
É um erro retratar ou simbolizar um acontecimento com a imagem de outro? Claro que é. Pode ser um erro que funcione visualmente e em termos de vendas, mas é um erro.
Uma capa não tem de ser, na maior parte dos casos, o resumo ou o espelho do conteúdo, mas, sempre que possível (e é sempre possível), não deve induzir em erro. Um editor, um autor e um designer, três cabeças a pensar, podiam ter pensado nisso. Não pensaram, daí a crítica.
A coragem e a frontalidade de responder a uma crítica são atitudes muito louváveis, mas realmente louvável seria reconhecer que houve um deslize. Que o pé fugiu para o mercado, para o fácil ou para o agradável. Acontece. Às vezes, aos melhores.
Pode ser que a próxima resposta de Henrique Cayatte a António Araújo seja mais consistente. Pode ser que a próxima edição do livro saia com uma capa mais certeira.
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1.8.12
Nível crítico: Panzer
António Araújo passa por cima de Domingos Amaral uma, duas, três e quatro vezes com um tanque de guerra. Vale a pena ler de fio a pavio a crónica deste desastre, a fazer lembrar a que Rogério Casanova dedicou a Margarida Rebelo Pinto.
Claro que se pode discutir uma série de coisas e racionalizar o que se quiser, tendo sempre alguma ou muita razão. O certo é que sabe bem, de vez em quando, ver alguém chamar trampa à trampa. Essa confirmação faz-nos sentir um pouco menos loucos e um pouco menos sós.
Obrigada, AA, por um trabalho tão bem feito que fez com que a hilaridade superasse a depressão. Alguns dos seus trocadilhos mereciam ser tatuados.
5.7.12
Valha-nos S. Gutenberg!
A Sociedade Bíblica é o exemplo perfeito de uma empresa que vive de um único produto. Nada de muito surpreendente, não fosse uma editora. Como têm de vender muito de um só produto (em vez de pouco de muitos, o modelo de negócio da maioria das editoras), têm de ser criativos e explorar variações.
Lançaram A Bíblia do Surfista, oferecem vários tipo de encadernação, da ganga à camurça cor-de-rosa, e promovem uma aplicação que permite ler a Bíblia no telemóvel. Mas aquilo por que ninguém esperava era esta última inovação...
De facto, na Bíblia, há coisas para todos os gostos. Mal posso esperar pela colecção de histórias de suspense, em que irmãos matam irmãos, etc.
30.6.12
Planos para o fim-de-semana
Diz que há lá uma pessoas que põem coisas bonitas no papel.
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PS: por falar em pôr coisas no papel...
ó eu, na maravilhosa Oficina do Cego.
ó eu, na maravilhosa Oficina do Cego.2.2.12
Gulag
Ontem à noite, num acesso de insónia, vi um documentário sobre as crianças do GULAG (mais aqui). Impressionante no mau sentido, devastador. Passou-se anteontem e já quase todos esquecemos. Ainda se pode fazer qualquer coisa. Na Coreia do Norte, outro escândalo, ainda há tudo a fazer.
Hoje, a espreitar a Pós dos Livros Vintage, vejo o primeiro volume de GULAG, de Solzhenitsyn. Tenho-o e ainda não o li, à espera de encontrar o segundo nalgum alfarrabista. Nunca o vi. Cheguei a duvidar de que tivesse sido publicado. Numa pesquisa rápida, para confirmar, dei de caras com isto. Artigo interessante, comentários muito reveladores. As pequenas coisas também ficam para a história.
PS: Se virem por aí o segundo volume, avisem.
PS: Se virem por aí o segundo volume, avisem.
31.1.12
18.11.11
Crises
Há dez anos era assim:
Francisco José Viegas, no editorial da Ler n.º 17, em 1992.
Fala-se de crise da edição portuguesa e, pela primeira vez nos últimos dez anos, quase abertamente. Um inquérito recente aos editores, publicado no Jornal de Letras a esse propósito, dá bem a ideia de que existem razões para temer as consequências destes tempos, já que o futuro é sempre optimista. Há dados que convém ter em atenção: cento e cinquenta livrarias encerraram as suas portas desde o início de 1991 até aos últimos meses do ano; o número médio de venda de cada título posto à disposição dos leitores portugueses baixou consideravelmente no mesmo período, acelerando uma tendência que já se registava desde há alguns tempos; alguns editores tomaram medidas que evidenciam uma disposição clara de desinvestir, e outros preparam-nas. Nada que não tenha acontecido em sectores diversos da vida económica portuguesa, com a diferença óbvia de, nestes casos, existir uma preocupação do Estado no sentido de possibilitar saídas para as crises que se manifestaram ou manifestam.
No caso da edição, a situação é bem diferente. O Estado português faz aprovar um Acordo Ortográfico sem ter em conta a opinião dos editores portugueses, manifestamente contrária; uma lei como a do preço fixo, que pode vir a revelar-se disciplinadora do mercado livreiro tarda em ser discutida e publicada. Exemplos colhidos de entre aqueles que convém ter em mente no início de 1992 e da adesão plena de Portugal à CEE, como reza o lugar-comum.
A vida em geral não é simples, mas a vida da edição, essa torna-se cada vez mais perigosa.
Francisco José Viegas, no editorial da Ler n.º 17, em 1992.
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8.11.11
Nota
Não cheguei a terminar a minha tradução do texto Words, de Tony Judt, mas em O Chalet da Memória, que acaba de ser lançado por Edições 70, esta e outras pérolas estão lá, cada uma mais lúcida e comovente do que a anterior.
17.10.11
Comparações
O negócio editorial não se assemelha a nenhum outro. Por vários motivos. A começar pelo facto de não se vender muito de uns quantos produtos, e sim pouco de muitos produtos complexos. Além de o paradigma ser o da cauda longa, as estruturas das editoras e o mercado do livro desdobram-se em especificidades filigrânicas (o que pode ser, e geralmente é, um desafio infernal para o gestor que «vem de fora»).
Durante anos (na verdade, até ontem), achei que o negócio dos livros tinha características tão próprias que não havia comparação possível. Até que me lembrei de uma analogia que encaixa na perfeição em muitos pontos. Com as devidas salvaguardas, esta comparação pode permitir-nos pensar a economia do livro e a gestão das editoras de outra forma.
E que indústria é esta, com tantos paralelos com a do livro? A farmacêutica.
• Autores em domínio público = genéricos.
• Livros académicos/científicos/especializados = medicamentos específicos, que exigem investigação pioneira e dispendiosa.
• Livros de grande público = medicamentos generalistas, não sujeitos a receita médica. Como há mais concorrência, o investimento em marketing tem de ser maior.
• Professores e outros prescritores = Médicos.
• …
Depois há muitas diferenças, claro:
• O Estado comparticipa em grande escala muitos medicamentos e todos os cidadãos precisam de os tomar numa altura ou noutra, ao passo que, no livro, têm os editores de dar uma parte ao Estado (11 exemplares obrigatoriamente cedidos para distribuição pelas principais bibliotecas – o chamado depósito legal) e o cidadão só compra livros se quiser.
• Farmacêuticas e farmácias estão relativamente bem organizadas e agrupam-se em associações distintas.
• …
Porém, alguns problemas são realmente parecidos:
• Onde dantes havia pontos de venda exclusivos – livrarias e farmácias –, agora temos uma abertura ao grande mercado – hipers, lojas generalistas, parafarmácias – que é simultaneamente uma ameaça e uma oportunidade.
• Os livreiros/farmacêuticos de ontem, que aconselhavam o cliente, foram substituídos em muitos casos por pessoas sem experiência, com baixos salários e alta rotatividade, cuja única habilitação é um colete/uma bata branca.
• …
A dimensão dos dois sectores na nossa economia pode ser bem diferente (e o gestor que actua num pode revelar-se inútil no outro), mas há problemas comuns. Assim sendo, talvez as soluções sejam análogas. Olhemos então para as estratégias deste «gémeo», já muito profissionalizado, e pensemos nas lições que podemos daí tirar.
Durante anos (na verdade, até ontem), achei que o negócio dos livros tinha características tão próprias que não havia comparação possível. Até que me lembrei de uma analogia que encaixa na perfeição em muitos pontos. Com as devidas salvaguardas, esta comparação pode permitir-nos pensar a economia do livro e a gestão das editoras de outra forma.
E que indústria é esta, com tantos paralelos com a do livro? A farmacêutica.
• Autores em domínio público = genéricos.
• Livros académicos/científicos/especializados = medicamentos específicos, que exigem investigação pioneira e dispendiosa.
• Livros de grande público = medicamentos generalistas, não sujeitos a receita médica. Como há mais concorrência, o investimento em marketing tem de ser maior.
• Professores e outros prescritores = Médicos.
• …
Depois há muitas diferenças, claro:
• O Estado comparticipa em grande escala muitos medicamentos e todos os cidadãos precisam de os tomar numa altura ou noutra, ao passo que, no livro, têm os editores de dar uma parte ao Estado (11 exemplares obrigatoriamente cedidos para distribuição pelas principais bibliotecas – o chamado depósito legal) e o cidadão só compra livros se quiser.
• Farmacêuticas e farmácias estão relativamente bem organizadas e agrupam-se em associações distintas.
• …
Porém, alguns problemas são realmente parecidos:
• Onde dantes havia pontos de venda exclusivos – livrarias e farmácias –, agora temos uma abertura ao grande mercado – hipers, lojas generalistas, parafarmácias – que é simultaneamente uma ameaça e uma oportunidade.
• Os livreiros/farmacêuticos de ontem, que aconselhavam o cliente, foram substituídos em muitos casos por pessoas sem experiência, com baixos salários e alta rotatividade, cuja única habilitação é um colete/uma bata branca.
• …
A dimensão dos dois sectores na nossa economia pode ser bem diferente (e o gestor que actua num pode revelar-se inútil no outro), mas há problemas comuns. Assim sendo, talvez as soluções sejam análogas. Olhemos então para as estratégias deste «gémeo», já muito profissionalizado, e pensemos nas lições que podemos daí tirar.
23.6.11
Original nacional
Há coisas demasiado boas para deixar escapar. Há pessoas demasiado tolas que as deixam fugir. Eis uma das melhores ilustrações que vi nos últimos tempos:
Esta ilustração pertence a uma série e representa - de um modo genial, digo eu - a tonicidade silábica. Foi uma proposta concebida por Catarina Sobral para um «livro de aferição de exames», proposta essa recusada. Enfim (*suspiro*). Os livros escolares - tão electrónicos - podiam ir formando e refinando a literacia visual se quem decide tivesse sensibilidade e bom senso. Felizmente, como há olhos atentos, os talentos não se desperdiçam e vão parar a boas mãos. Em breve, a Orfeu Negro (na chancela Orfeu Mini) publicará um livro seu. Mal posso esperar. :)
Viva a justiça poética! Vivam os ilustradores portugueses! Viva o ponto de exclamação!
Esta ilustração pertence a uma série e representa - de um modo genial, digo eu - a tonicidade silábica. Foi uma proposta concebida por Catarina Sobral para um «livro de aferição de exames», proposta essa recusada. Enfim (*suspiro*). Os livros escolares - tão electrónicos - podiam ir formando e refinando a literacia visual se quem decide tivesse sensibilidade e bom senso. Felizmente, como há olhos atentos, os talentos não se desperdiçam e vão parar a boas mãos. Em breve, a Orfeu Negro (na chancela Orfeu Mini) publicará um livro seu. Mal posso esperar. :)Viva a justiça poética! Vivam os ilustradores portugueses! Viva o ponto de exclamação!
16.6.11
Os livros são quê?
Não me parece que venha a ter muito tempo nos próximos tempos. Contudo, tenho há muito a intenção de deixar aqui no blogue umas quantas ideias sobre edição e respectivos satélites. Alguns dos tópicos são a arte e o livro (ou vice-versa), o papel do editor, o que faz um assistente editorial ou a tentativa de provar que os livros não são/estão caros. Como tenho de começar por algum lado, escolho esse último tema: «Os livros são caros».
Não recuarei tanto a ponto de perguntar «o que é um livro?», mas há que restringir o âmbito para não perdermos o fio à meada. Para poupar tempo e avançar com a discussão, partamos do princípio de que estamos a falar de um objecto impresso com 200 páginas, de capa mole, com 24 cm de altura e 14 largura.
«Os livros são/estão caros.» - De que livros estamos a falar?
A meu ver, definitivamente, os livros não são/estão caros na sua generalidade; só alguns, especializados, estão mais inflacionados. Falo do livro técnico (compêndios médicos, manuais jurídicos, teses de doutoramento), talvez do escolar, e pouco mais. Nestes casos, a editora pode esticar a sua margem, pois sabe que há procura e que o público-alvo tem (ou tem de ter) poder de compra.
«Os livros são/estão caros.» - Para quem?
Não vivemos num país rico. Este não é um país grande, nem com muitos leitores. O facto de sermos pequenos a vários níveis condiciona os preços, pois há a questão da escala. Em França (país mais rico, com 62 milhões de habitantes e muitos leitores), as tiragens médias são três e quatro vezes as nossas (pois há, no mínimo, cinco vezes mais leitores), o que reduz dramaticamente o custo unitário, o que, por sua vez, se reflecte no preço final.
Num país como o nosso, o livro pode parecer um bem de luxo para alguns. Mas não é, e passo a explicar.
«Os livros são/estão caros.» - Em relação a quê?
Suponhamos que o livro de que acima falámos tem um preço de venda ao público de 20€ (para termos um número redondo). Partamos do razoável princípio que se lermos meia hora por dia, num mês temos o livro lido. Ora, 0,5 horas x 30 dias = 15 horas. 15 horas de entretenimento e/ou aprendizagem (caso o livro que tenhamos escolhido seja interessante e o tenhamos lido até ao fim). 20€ ÷ 15 horas = 1,33€. Que outra fonte de entretenimento/aprendizagem tem um valor por hora tão baixo? Talvez a televisão. Mas além do que pagamos por ela, toleramos anúncios e outros conteúdos que não nos interessam na maior parte do tempo. O cinema e o teatro, em comparação, parecem exorbitantes. Se além do espírito quisermos exercitar o corpo, um ginásio cobra-nos uma mensalidade que daria para comprar muitos livros.
Aqui, há que acrescentar que há centenas e centenas de bons livros a 6€ - o preço de um bilhete de cinema. 15€ é o preço de um jantar. 30€ são uns sapatos baratos. Um livro deu muito trabalho a confeccionar, é património que fica, ao qual se volta sempre que se quer, que pode ser legado, revendido, etc.
Quem não pode comprar as novidades caras, tem sempre livros em domínio público na internet, livros em segunda mão nos alfarrabistas, feiras do livro (com descontos de 20 a 50%) e, sobretudo, bibliotecas.
Curiosidade: por cada título que lança, a editora tem de dar ao Estado 11 exemplares para este os distribuir pelas bibliotecas mais importantes do país. Além da complexa tarefa de fabricar livros e tentar vendê-los, a editora cumpre ainda esta obrigação para com todos os cidadãos, que é disponibilizar-lhes, gratuitamente, o seu trabalho.
Analisemos agora alguns equívocos que pululam em conversas quotidianas.
O diálogo que se segue é real e foi tido no Facebook há umas semanas entre compradores de livros na casa dos 30 anos. São pessoas com formação superior e que lêem em inglês (uma minoria, se olharmos para as estatísticas do país). Opinam com base no seu senso comum e desconhecem a complexidade do funcionamento de uma editora. (Ah, e aquelas contas finais são um total disparate.)
XY: Fui comparar os preços dos livros comprados em promoção na feira do livro com os preços no book depository. Foram todos mais caros, e por 3 livros paguei 10 euros a mais, 67% mais caros... :(
BP: O q é o book depository?
RM: Pensa pela positiva, estimulaste a economia nacional comprando cá.
PA: Comparações com o Book Depository (site de venda de livros) são injustas. Está bem que o preço dos livros em Portugal deviam ser mais baixos, mas, desde que o preço seja razoável e sejam livros que encontro por cá, não me custa pagar mais uns euros, sem comparar com sites que sei que apresentam preços *muito* baixos.
BP: Obg. :)
JP: são injustas? como assim? os livros são os mesmos. mais uns euros? eu paguei mais 67% em livros que supostamente estavam em promoção. Imagino que se não estivessem em promo, custavam o dobro do preço. a unica injustiça seria para o bookdepository uma vez que é uma loja,
e não uma editora. Ao comprar directamente a uma editora, deveria estar a pagar menos por não haver intermediário.
TG: Conseguem ser mais baratos que na Amazon.co.uk.
PA: Quando as lojas portuguesas (cujos preços afectam certamente os que as próprias editoras praticam na Feira) venderem o mesmo volume que lojas online como o book depository e amazon, entao podemos ir olhar para o IVA dos livros e discutir se os preços em Portugal sao "justos". Até lá, as diferenças de preços parecem-me lógicas, apesar de poderem às vezes ser desanimadoras.
JP: não há uma discussão do IVA, uma vez que o IVA pago é o de Portugal, no bookdep como na Amazon. Vivemos numa economia global e numa união económica de livre comercio e concorrência, e se é igualmente fácil e a metade do preço comprar no bookdepository, eu nem vou pensar 2 vezes e comprar no Bookdep. os preços das editoras tem de ser competitivos com o resto das lojas que estão disponíveis ao consumidor, ou então tem que ganhar o dinheiro de outra forma, prestando outro tipo de serviços, melhor qualidade, alguma mais valia que justifique o dobro do preço.
PA: Tu não estás a comparar os preços de edições portuguesas com os das edições originais, pois não? É que só as diferenças de tiragens de uma versão USA do "The Road" com as da portuguesa afectarão bastante o preço base.
TG: P., os preços dos livros em Portugal podiam ser mais baratos. Segui de perto desde a escrita ate ao lançamento do livro de um amigo meu. 2E por livro vendido para o autor; 3.8E para a impressão; 0.3E por livro para a distribuição; 500E para o revisor; numa edicao de 3000 exemplares da 0.17E; e um preço de lançamento de 26E. 2E+3.8E+0.3E+0.17E=6.27E, sabendo que a livraria tinha um ganho de 15% sobre o preco de capa a editora tinha um lucro de 15.83E por livro. Mesmo que a editora so vendesse 75% dos livros o lucro seria de 10.30E por livro vendido.
Primeiro: Em Portugal temos a Lei do Preço Fixo, que, salvo excepções, não permite que um livro seja vendido com mais de 10% de desconto sobre o preço inicialmente fixado pela editora nos primeiros 18 meses após a sua publicação. No estrangeiro, o editor fixa um valor mas há liberalização do preço - os canais de venda podem escolher abdicar da sua margem de lucro para baixar o preço do livro e, assim, chamar mais clientes.
Segundo: O Bookdepository vende livros baratos (os de massas, sobretudo) porque estão na sua edição original, vendem para um mercado enorme e, o mais das vezes, em edições já de si baratuchas (paperbacks em papel cinzento, com letra miúda, etc.). Se compararmos os preço dos livros cartonados cá e lá, ficam quase sempre ela por ela.
Acresce a isto o facto de nem sempre querermos ler um livro na versão original e preferirmos a tradução. Compro livros na Amazon, onde encontro pechinchas, e no Bookdepository, onde não pago portes de envio, mas compro quase sempre livros nas nossas livrarias ou directamente aos editores (via site ou feira do livro). Tudo depende da ocasião, da oferta, do que for mais competitivo e do tempo que estou disposta a esperar.
Terceiro: A edição é um trabalho duro, a concorrência é feroz e a venda dos livros tem de pagar toda a estrutura da empresa. Se a editora não tem distribuição própria, tem de pagar a uma distribuidora que, juntamente com os canais de venda, fica com (praticamente) 60% da facturação (-6% IVA) e que não garante o armazenamento dos livros (encargo esse que, com o tempo, se torna monstruoso). Se tiver distribuição própria, tem de pagar salários a delgados comerciais e todo o custo da logística. Em Portugal, as livrarias ficam em média com 35-40% do PVP (-6% IVA). Repito: 35-40%. 50% no caso dos hipermercados. Os autores ficam, em média, com 10% do PVP (-6% IVA). Com o que sobra, o editor tem de pagar a renda, os salários, o trabalho de tradutores, revisores, paginadores e designers, gráficas, despesas correntes (telefones, manutenção do site, quotas de associado da APEL, ...), armazenamento dos livros, etc.
E a verdade é que muitas vezes as editoras perdem dinheiro com a publicação de um livro. Apostar na publicação de um autor implica riscos. Mesmo que uma editora não recupere o investimento que fez (ah, o break-even... essa miragem), tem de pagar royalties sobre os exemplares vendidos.
Portanto: Comparar realidades incomparáveis (preços dos livros de uma editora portuguesa numa livraria nacional vs livros na sua versão original numa livraria on-line no estrangeiro) é precipitado/injusto/preguiçoso/inútil/outro (riscar o que não se aplica).
As editoras põem comida no prato de muitas pessoas. O preço dessa cadeia de valor reflecte-se inevitavelmente no preço do livro para o consumidor. Ainda assim, se virmos bem, os preços praticados estão longe de ser abusivos.
«Os livros são/estão caros», passo a vida a ouvir. Na maioria dos casos será só mais uma desculpa como «não tenho tempo para ler».
Não recuarei tanto a ponto de perguntar «o que é um livro?», mas há que restringir o âmbito para não perdermos o fio à meada. Para poupar tempo e avançar com a discussão, partamos do princípio de que estamos a falar de um objecto impresso com 200 páginas, de capa mole, com 24 cm de altura e 14 largura.
«Os livros são/estão caros.» - De que livros estamos a falar?
A meu ver, definitivamente, os livros não são/estão caros na sua generalidade; só alguns, especializados, estão mais inflacionados. Falo do livro técnico (compêndios médicos, manuais jurídicos, teses de doutoramento), talvez do escolar, e pouco mais. Nestes casos, a editora pode esticar a sua margem, pois sabe que há procura e que o público-alvo tem (ou tem de ter) poder de compra.
«Os livros são/estão caros.» - Para quem?
Não vivemos num país rico. Este não é um país grande, nem com muitos leitores. O facto de sermos pequenos a vários níveis condiciona os preços, pois há a questão da escala. Em França (país mais rico, com 62 milhões de habitantes e muitos leitores), as tiragens médias são três e quatro vezes as nossas (pois há, no mínimo, cinco vezes mais leitores), o que reduz dramaticamente o custo unitário, o que, por sua vez, se reflecte no preço final.
Num país como o nosso, o livro pode parecer um bem de luxo para alguns. Mas não é, e passo a explicar.
«Os livros são/estão caros.» - Em relação a quê?
Suponhamos que o livro de que acima falámos tem um preço de venda ao público de 20€ (para termos um número redondo). Partamos do razoável princípio que se lermos meia hora por dia, num mês temos o livro lido. Ora, 0,5 horas x 30 dias = 15 horas. 15 horas de entretenimento e/ou aprendizagem (caso o livro que tenhamos escolhido seja interessante e o tenhamos lido até ao fim). 20€ ÷ 15 horas = 1,33€. Que outra fonte de entretenimento/aprendizagem tem um valor por hora tão baixo? Talvez a televisão. Mas além do que pagamos por ela, toleramos anúncios e outros conteúdos que não nos interessam na maior parte do tempo. O cinema e o teatro, em comparação, parecem exorbitantes. Se além do espírito quisermos exercitar o corpo, um ginásio cobra-nos uma mensalidade que daria para comprar muitos livros.
Aqui, há que acrescentar que há centenas e centenas de bons livros a 6€ - o preço de um bilhete de cinema. 15€ é o preço de um jantar. 30€ são uns sapatos baratos. Um livro deu muito trabalho a confeccionar, é património que fica, ao qual se volta sempre que se quer, que pode ser legado, revendido, etc.
Quem não pode comprar as novidades caras, tem sempre livros em domínio público na internet, livros em segunda mão nos alfarrabistas, feiras do livro (com descontos de 20 a 50%) e, sobretudo, bibliotecas.
Curiosidade: por cada título que lança, a editora tem de dar ao Estado 11 exemplares para este os distribuir pelas bibliotecas mais importantes do país. Além da complexa tarefa de fabricar livros e tentar vendê-los, a editora cumpre ainda esta obrigação para com todos os cidadãos, que é disponibilizar-lhes, gratuitamente, o seu trabalho.
Analisemos agora alguns equívocos que pululam em conversas quotidianas.
O diálogo que se segue é real e foi tido no Facebook há umas semanas entre compradores de livros na casa dos 30 anos. São pessoas com formação superior e que lêem em inglês (uma minoria, se olharmos para as estatísticas do país). Opinam com base no seu senso comum e desconhecem a complexidade do funcionamento de uma editora. (Ah, e aquelas contas finais são um total disparate.)
XY: Fui comparar os preços dos livros comprados em promoção na feira do livro com os preços no book depository. Foram todos mais caros, e por 3 livros paguei 10 euros a mais, 67% mais caros... :(
BP: O q é o book depository?
RM: Pensa pela positiva, estimulaste a economia nacional comprando cá.
PA: Comparações com o Book Depository (site de venda de livros) são injustas. Está bem que o preço dos livros em Portugal deviam ser mais baixos, mas, desde que o preço seja razoável e sejam livros que encontro por cá, não me custa pagar mais uns euros, sem comparar com sites que sei que apresentam preços *muito* baixos.
BP: Obg. :)
JP: são injustas? como assim? os livros são os mesmos. mais uns euros? eu paguei mais 67% em livros que supostamente estavam em promoção. Imagino que se não estivessem em promo, custavam o dobro do preço. a unica injustiça seria para o bookdepository uma vez que é uma loja,
e não uma editora. Ao comprar directamente a uma editora, deveria estar a pagar menos por não haver intermediário.
TG: Conseguem ser mais baratos que na Amazon.co.uk.
PA: Quando as lojas portuguesas (cujos preços afectam certamente os que as próprias editoras praticam na Feira) venderem o mesmo volume que lojas online como o book depository e amazon, entao podemos ir olhar para o IVA dos livros e discutir se os preços em Portugal sao "justos". Até lá, as diferenças de preços parecem-me lógicas, apesar de poderem às vezes ser desanimadoras.
JP: não há uma discussão do IVA, uma vez que o IVA pago é o de Portugal, no bookdep como na Amazon. Vivemos numa economia global e numa união económica de livre comercio e concorrência, e se é igualmente fácil e a metade do preço comprar no bookdepository, eu nem vou pensar 2 vezes e comprar no Bookdep. os preços das editoras tem de ser competitivos com o resto das lojas que estão disponíveis ao consumidor, ou então tem que ganhar o dinheiro de outra forma, prestando outro tipo de serviços, melhor qualidade, alguma mais valia que justifique o dobro do preço.
PA: Tu não estás a comparar os preços de edições portuguesas com os das edições originais, pois não? É que só as diferenças de tiragens de uma versão USA do "The Road" com as da portuguesa afectarão bastante o preço base.
TG: P., os preços dos livros em Portugal podiam ser mais baratos. Segui de perto desde a escrita ate ao lançamento do livro de um amigo meu. 2E por livro vendido para o autor; 3.8E para a impressão; 0.3E por livro para a distribuição; 500E para o revisor; numa edicao de 3000 exemplares da 0.17E; e um preço de lançamento de 26E. 2E+3.8E+0.3E+0.17E=6.27E, sabendo que a livraria tinha um ganho de 15% sobre o preco de capa a editora tinha um lucro de 15.83E por livro. Mesmo que a editora so vendesse 75% dos livros o lucro seria de 10.30E por livro vendido.
Primeiro: Em Portugal temos a Lei do Preço Fixo, que, salvo excepções, não permite que um livro seja vendido com mais de 10% de desconto sobre o preço inicialmente fixado pela editora nos primeiros 18 meses após a sua publicação. No estrangeiro, o editor fixa um valor mas há liberalização do preço - os canais de venda podem escolher abdicar da sua margem de lucro para baixar o preço do livro e, assim, chamar mais clientes.
Segundo: O Bookdepository vende livros baratos (os de massas, sobretudo) porque estão na sua edição original, vendem para um mercado enorme e, o mais das vezes, em edições já de si baratuchas (paperbacks em papel cinzento, com letra miúda, etc.). Se compararmos os preço dos livros cartonados cá e lá, ficam quase sempre ela por ela.
Acresce a isto o facto de nem sempre querermos ler um livro na versão original e preferirmos a tradução. Compro livros na Amazon, onde encontro pechinchas, e no Bookdepository, onde não pago portes de envio, mas compro quase sempre livros nas nossas livrarias ou directamente aos editores (via site ou feira do livro). Tudo depende da ocasião, da oferta, do que for mais competitivo e do tempo que estou disposta a esperar.
Terceiro: A edição é um trabalho duro, a concorrência é feroz e a venda dos livros tem de pagar toda a estrutura da empresa. Se a editora não tem distribuição própria, tem de pagar a uma distribuidora que, juntamente com os canais de venda, fica com (praticamente) 60% da facturação (-6% IVA) e que não garante o armazenamento dos livros (encargo esse que, com o tempo, se torna monstruoso). Se tiver distribuição própria, tem de pagar salários a delgados comerciais e todo o custo da logística. Em Portugal, as livrarias ficam em média com 35-40% do PVP (-6% IVA). Repito: 35-40%. 50% no caso dos hipermercados. Os autores ficam, em média, com 10% do PVP (-6% IVA). Com o que sobra, o editor tem de pagar a renda, os salários, o trabalho de tradutores, revisores, paginadores e designers, gráficas, despesas correntes (telefones, manutenção do site, quotas de associado da APEL, ...), armazenamento dos livros, etc.
E a verdade é que muitas vezes as editoras perdem dinheiro com a publicação de um livro. Apostar na publicação de um autor implica riscos. Mesmo que uma editora não recupere o investimento que fez (ah, o break-even... essa miragem), tem de pagar royalties sobre os exemplares vendidos.
Portanto: Comparar realidades incomparáveis (preços dos livros de uma editora portuguesa numa livraria nacional vs livros na sua versão original numa livraria on-line no estrangeiro) é precipitado/injusto/preguiçoso/inútil/outro (riscar o que não se aplica).
As editoras põem comida no prato de muitas pessoas. O preço dessa cadeia de valor reflecte-se inevitavelmente no preço do livro para o consumidor. Ainda assim, se virmos bem, os preços praticados estão longe de ser abusivos.
«Os livros são/estão caros», passo a vida a ouvir. Na maioria dos casos será só mais uma desculpa como «não tenho tempo para ler».
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25.5.11
Nomes próprios
I've got the name for our publishing house. We just said we were going to publish a few books on the side at random. Let's call it Random House.
Bennett Cerf, co-fundador da Random House (25.05.1898 - 27.08.1971)
& ETC, 101 NOITES, 7 DIAS 6 NOITES, 7 NÓS, 90 GRAUS, A ESFERA DOS LIVROS, ABRIL, ACADEMIA DO LIVRO, ACTUAL, AFRODITE, AFRONTAMENTO, AHAB, ALÊTHEIA, ALFA, ALFABETO, ALFAGUARA, ALMEDINA, AMBAR, ÂNCORA, ANGELUS NOVUS, ANTAGONISTA, ANTÍGONA, AQUÁRIO, ARCÁDIA, AREAL, ARGUMENTUM, ARIADNE, ARTE PLURAL, ASA, ASSÍRIO & ALVIM, ÁTICA, AVANTE!, AVERNO, BAGS OF BOOKS, BE-A-BA, BERTRAND, BICO DE PENA, BIZÂNCIO, BLACK SON, BLAU, BOCA, BOOKSMILE, BOOKTREE, CADERNO, CAIXOTIM, CALEIDOSCÓPIO, CALENDÁRIO DE LETRAS, CAMINHO, CAMÕES E COMPANHIA, CAMPO DAS LETRAS, CÃO MENOR, CASA DAS LETRAS, CASA DO SUL, CAVALO DE FERRO, CHÁ DAS CINCO, CHIADO, CHILLI COM CARNE, CÍRCULO DE LEITORES, CIVILIZAÇÃO, CLÁSSICA, CLIMEPSI, CLUBE DO AUTOR, COIMBRA, COISAS DE LER, COLIBRI, COMPANHIA DAS ARTES, COMUNICAÇÃO, CONFLUÊNCIA, CONTEXTO, CONTRA-MARGEM, CONTRAPONTO, CORPOS, COSMOS, DAFNE, DE MÃOS NO FOGO, DESABROCHAR, DEVIR, DIDÁCTICA, DIFEL, DIFERENÇA, DINALIVRO, ECOPY, EDI9, EDICARE, EDIÇÕES 70, EDIÇÕES ANTIPÁTICAS, EDIÇÕES NELSON DE MATOS, EDITORIAL NOTÍCIAS, ELA POR ELA, ERRATA, ESFERA DO CAOS, ESFERA DOS LIVROS, ÉSQUILO, ESTAMPA, ESTRELA POLAR, ESTROFES & VERSOS, ESTÚDIOS COR, ETEROGÉMEAS, EUCLEIA, EUROPA-AMÉRICA, EUROPRESS, FENDA, FIGUEIRINHAS, FIM DE SÉCULO, FÓLIO, FONTE DA PALAVRA, FRENESI, GAILIVRO, GATAFUNHO, GESTÃO PLUS, GIRASSOL, GÓTICA, GRADIVA, GUERRA E PAZ EDITORES, GUIMARÃES, HUGIN, ÍMAN EDIÇÕES, INQUÉRITO, JOÃO AZEVEDO EDITOR, K EDITORA, KALANDRAKA, LEGIS EDITORA, LELLO, LISBOA, LIVRO DO DIA, LIVROS DE AREIA, LIVROS D'HOJE, LUA DE PAPEL, LUGAR DA PALAVRA, LUSODIDACTA, MÁ CRIAÇÃO, MAGNÓLIA, MILL BOOKS, MINERVA, MINOTAURO, MINUTOS DE LEITURA, MULTINOVA, NOVA GUANABARA, NOVA VEJA, OBJECTIVA, OCEANOS, OFICINA DO LIVRO, OQO, ORFEU NEGRO, OVNI, PAPIRO, PARCERIA A. M. PEREIRA, PAULINAS, PAULUS, PÉ DE PÁGINA, PEDRA DA LUA, PERGAMINHO, PÉRIPLO, PERSPECTIVAS & REALIDADES, PLANETA, PLANETA TANGERINA, PLÁTANO, PORTO, PORTUGÁLIA, PREFÁCIO, PRESENÇA, PRIME BOOKS, PRINCIPIA, QUARTETO, QUASI, QUETZAL, QUID JURIS, QUIDNOVI, QUIMERA, QUINTA ESSÊNCIA, RELÓGIO D' ÁGUA, REPLICAÇÃO, ROMA EDITORA, SAGITÁRIO, SAÍDA DE EMERGÊNCIA, SALAMANDRA, SEBENTA, SEXTANTE, SIGNO, SÍLABO, SINAIS DE FOGO, TEMAS E DEBATES, TEOREMA, TERRAMAR, TEXTO, TEXTO E GRAFIA, TINTA-DA-CHINA, TRINTA POR UMA LINHA, ULISSEIA, ULMEIRO, VEGA, VERBO, VERDADE E LUZ, VERSO DA KAPA, VIA OCCIDENTALIS, VOGAIS E COMPANHIA, ZÉFIRO...
Bennett Cerf, co-fundador da Random House (25.05.1898 - 27.08.1971)
Hm...
& ETC, 101 NOITES, 7 DIAS 6 NOITES, 7 NÓS, 90 GRAUS, A ESFERA DOS LIVROS, ABRIL, ACADEMIA DO LIVRO, ACTUAL, AFRODITE, AFRONTAMENTO, AHAB, ALÊTHEIA, ALFA, ALFABETO, ALFAGUARA, ALMEDINA, AMBAR, ÂNCORA, ANGELUS NOVUS, ANTAGONISTA, ANTÍGONA, AQUÁRIO, ARCÁDIA, AREAL, ARGUMENTUM, ARIADNE, ARTE PLURAL, ASA, ASSÍRIO & ALVIM, ÁTICA, AVANTE!, AVERNO, BAGS OF BOOKS, BE-A-BA, BERTRAND, BICO DE PENA, BIZÂNCIO, BLACK SON, BLAU, BOCA, BOOKSMILE, BOOKTREE, CADERNO, CAIXOTIM, CALEIDOSCÓPIO, CALENDÁRIO DE LETRAS, CAMINHO, CAMÕES E COMPANHIA, CAMPO DAS LETRAS, CÃO MENOR, CASA DAS LETRAS, CASA DO SUL, CAVALO DE FERRO, CHÁ DAS CINCO, CHIADO, CHILLI COM CARNE, CÍRCULO DE LEITORES, CIVILIZAÇÃO, CLÁSSICA, CLIMEPSI, CLUBE DO AUTOR, COIMBRA, COISAS DE LER, COLIBRI, COMPANHIA DAS ARTES, COMUNICAÇÃO, CONFLUÊNCIA, CONTEXTO, CONTRA-MARGEM, CONTRAPONTO, CORPOS, COSMOS, DAFNE, DE MÃOS NO FOGO, DESABROCHAR, DEVIR, DIDÁCTICA, DIFEL, DIFERENÇA, DINALIVRO, ECOPY, EDI9, EDICARE, EDIÇÕES 70, EDIÇÕES ANTIPÁTICAS, EDIÇÕES NELSON DE MATOS, EDITORIAL NOTÍCIAS, ELA POR ELA, ERRATA, ESFERA DO CAOS, ESFERA DOS LIVROS, ÉSQUILO, ESTAMPA, ESTRELA POLAR, ESTROFES & VERSOS, ESTÚDIOS COR, ETEROGÉMEAS, EUCLEIA, EUROPA-AMÉRICA, EUROPRESS, FENDA, FIGUEIRINHAS, FIM DE SÉCULO, FÓLIO, FONTE DA PALAVRA, FRENESI, GAILIVRO, GATAFUNHO, GESTÃO PLUS, GIRASSOL, GÓTICA, GRADIVA, GUERRA E PAZ EDITORES, GUIMARÃES, HUGIN, ÍMAN EDIÇÕES, INQUÉRITO, JOÃO AZEVEDO EDITOR, K EDITORA, KALANDRAKA, LEGIS EDITORA, LELLO, LISBOA, LIVRO DO DIA, LIVROS DE AREIA, LIVROS D'HOJE, LUA DE PAPEL, LUGAR DA PALAVRA, LUSODIDACTA, MÁ CRIAÇÃO, MAGNÓLIA, MILL BOOKS, MINERVA, MINOTAURO, MINUTOS DE LEITURA, MULTINOVA, NOVA GUANABARA, NOVA VEJA, OBJECTIVA, OCEANOS, OFICINA DO LIVRO, OQO, ORFEU NEGRO, OVNI, PAPIRO, PARCERIA A. M. PEREIRA, PAULINAS, PAULUS, PÉ DE PÁGINA, PEDRA DA LUA, PERGAMINHO, PÉRIPLO, PERSPECTIVAS & REALIDADES, PLANETA, PLANETA TANGERINA, PLÁTANO, PORTO, PORTUGÁLIA, PREFÁCIO, PRESENÇA, PRIME BOOKS, PRINCIPIA, QUARTETO, QUASI, QUETZAL, QUID JURIS, QUIDNOVI, QUIMERA, QUINTA ESSÊNCIA, RELÓGIO D' ÁGUA, REPLICAÇÃO, ROMA EDITORA, SAGITÁRIO, SAÍDA DE EMERGÊNCIA, SALAMANDRA, SEBENTA, SEXTANTE, SIGNO, SÍLABO, SINAIS DE FOGO, TEMAS E DEBATES, TEOREMA, TERRAMAR, TEXTO, TEXTO E GRAFIA, TINTA-DA-CHINA, TRINTA POR UMA LINHA, ULISSEIA, ULMEIRO, VEGA, VERBO, VERDADE E LUZ, VERSO DA KAPA, VIA OCCIDENTALIS, VOGAIS E COMPANHIA, ZÉFIRO...
9.5.11
Hora H
Rumei à feira, como sempre, desta feita de mochila e tudo, para evitar as mãos ocupadas com sacos. (O que me valeu olhares de soslaio por parte dos seguranças nalgumas praças.) Ansiosa pela Hora H, de lista em riste, vejo que nem todos os pavilhões estão preparados para ela no momento de começar. A dita hora passa a correr e perde-se muito tempo com perguntas evitáveis (oh! o que seria de nós se a informação fosse mais explícita!) e filas para pagar. Surpresa das surpresas reservada para o final: 15 minutos antes da feira terminar, há pavilhões em que se faz a caixa, recolhem as abas laterais e guardam livros, num cenário desolador, que faz com que o visitante sinta que anda aos restos.
Estive muitos anos desse lado e sei que o cansaço de um dia longo é por vezes avassalador; porém, a Hora H traz muita gente à feira e pode ser bem animada. Todos os vendedores com quem falei e cujas editoras participam na iniciativa dizem que nesse horário há maior afluência. Então o que se passa? Fazem os descontos contrariados? Não estão interessados em vender mais um pouco? Não vale a pena fazer o esforço pelo visitante - também ele cansado e ao frio, mas que saiu de casa para ir comprar livros? Ou será tudo isto grande escrúpulo em cumprir os horários de encerramento?
É nestas coisas, quer-me parecer, que tudo se perde. Na hora H volta-se costas ao potencial, desiste-se, não se faz aquele esforço extra.
Ficaram livros por comprar e voltarei lá esta semana. Gostava mesmo de retirar o que escrevi.
Estive muitos anos desse lado e sei que o cansaço de um dia longo é por vezes avassalador; porém, a Hora H traz muita gente à feira e pode ser bem animada. Todos os vendedores com quem falei e cujas editoras participam na iniciativa dizem que nesse horário há maior afluência. Então o que se passa? Fazem os descontos contrariados? Não estão interessados em vender mais um pouco? Não vale a pena fazer o esforço pelo visitante - também ele cansado e ao frio, mas que saiu de casa para ir comprar livros? Ou será tudo isto grande escrúpulo em cumprir os horários de encerramento?
É nestas coisas, quer-me parecer, que tudo se perde. Na hora H volta-se costas ao potencial, desiste-se, não se faz aquele esforço extra.
Ficaram livros por comprar e voltarei lá esta semana. Gostava mesmo de retirar o que escrevi.
8.12.10
&etc
A revolução está mesmo aí. A emitir directamente do subterrâneo, a &etc virtualizou-se. Ora sejam bem-vindos.
23.9.10
22.9.10
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