Uma sugestão do meu amigo Rafael.
22.9.10
$#%@ Me, Ray Bradbury
19.9.10
Crítica
Na revista online de filosofia Crítica, Aires Almeida acaba de publicar um interessantíssimo artigo sobre alguns maus hábitos enraizados na edição portuguesa, cuja leitura e discussão se recomenda vivamente.
Aborda quatro pontos:
Neste ponto, partilho com Aires de Almeida, além da imensa frustração, a total perplexidade perante tal mau passo por parte da editora. A elaboração de um livro representa um grande investimento e nenhuma parte da sua concepção deve ser descurada. Se se trata de uma tradução, garantir a qualidade do texto é essencial (até porque, num mundo globalizado com leitores poliglotas que fazem compras via internet, a versão portuguesa terá também de competir com a original). Porquê deitar tudo a perder com uma negligência deste calibre? Volta e meia dou por mim a pensar se não devo devolver-lhes o livro e pedir o dinheiro de volta...
Acredito que quase todos os lapsos editoriais deste género se devem a ignorância, arrogância e urgência. Resumindo: incompetência e/ou desprezo pelos leitores. Uma conclusão dura, e triste, mas que não pode deixar de ser tirada.
*Pessoalmente, sou adepta da norma do índice de conteúdos no início (momento em que se expõe o esqueleto e o rumo do livro) e da colocação de todos os outros índices (remissivo, etc.) no fim. Um dia destes escrevo qualquer coisa sobre a grande importância do índice.
Aborda quatro pontos:
- O facto de se chamar segunda/terceira/... edição ao que é, na verdade, uma reimpressão.
- A fraquíssima qualidade de algumas traduções, que tanto(s) prejudicam e que não tinham de ser tão más.
Neste ponto, partilho com Aires de Almeida, além da imensa frustração, a total perplexidade perante tal mau passo por parte da editora. A elaboração de um livro representa um grande investimento e nenhuma parte da sua concepção deve ser descurada. Se se trata de uma tradução, garantir a qualidade do texto é essencial (até porque, num mundo globalizado com leitores poliglotas que fazem compras via internet, a versão portuguesa terá também de competir com a original). Porquê deitar tudo a perder com uma negligência deste calibre? Volta e meia dou por mim a pensar se não devo devolver-lhes o livro e pedir o dinheiro de volta...
- O facto de habitualmente se menosprezar, em Portugal, a questão do índice.
- O quarto aspecto focado no artigo é transversal a estas três observações: a constatação de uma frequente falta de profissionalismo por parte das editoras e da recorrente falta de exigência por parte dos leitores (a meu ver, correlativas).
Acredito que quase todos os lapsos editoriais deste género se devem a ignorância, arrogância e urgência. Resumindo: incompetência e/ou desprezo pelos leitores. Uma conclusão dura, e triste, mas que não pode deixar de ser tirada.
*Pessoalmente, sou adepta da norma do índice de conteúdos no início (momento em que se expõe o esqueleto e o rumo do livro) e da colocação de todos os outros índices (remissivo, etc.) no fim. Um dia destes escrevo qualquer coisa sobre a grande importância do índice.
18.9.10
Inverter o processo
Manuel A. Domingos, entre outras coisas tradutor de Charles Bukowski e autor dos blogues meia noite todo o dia e o amor é um cão do inferno, dá destaque ao seu autor favorito nesta Alice #3. Todo o artigo tem interesse, mas é de salientar o seguinte poema:
se ensinasse escrita criativa, perguntou-me, o que lhes diria?
diria para terem um desgosto amoroso,
hemorróidas, dentes podres
beberem vinho barato,
evitar a ópera e o golfe e o xadrez,
mudarem a cabeça da cama
de parede para parede
e depois diria para terem
outro desgosto amoroso
e para nunca usarem computador
portátil,
evitarem almoços em família
ou serem fotografados num jardim
com flores;
para lerem Hemingway só uma vez,
passarem por Faulkner
ignorarem Gogol
verem fotografias da Getrude Stein
e lerem Sherwood Anderson na cama
enquanto comem bolachas de água e sal,
perceberem que as pessoas que falam de
liberdade sexual tem mais medo do que vocês.
para ouvirem E. Power Biggs a tocar
órgão na rádio enquanto enrolam
um Bull Durham às escuras
numa cidade desconhecida
com um dia para pagar a renda
depois de abandonar
amigos, família e trabalho.
para nunca se considerarem superiores e/
ou justos
e nunca tentar ser.
para terem outro desgosto amoroso.
observarem uma mosca no verão.
nunca tentar ter sucesso.
nunca jogar bilhar.
para se mostrarem verdadeiramente furiosos
quando descobrirem que têm um pneu furado.
tomarem vitaminas mas nunca fazer exercício físico.
depois disto tudo
inverter o processo.
ter um bom caso amoroso.
e aprender
que não há nada nem ninguém a saber tudo –
nem o Estado, nem os ratos nem a mangueira do jardim nem a Estrela Polar.
e se algum dia me apanharem
a dar uma aula de escrita criativa
e lerem isto
eu dou-vos um 20
pelo cu
acima.
17.9.10
16.9.10
15.09.1890
14.9.10
13.9.10
Agenda
Este segundo semestre está de agenda sobrelotada. Do Palavras Andarilhas, já esta semana, em Beja, ao Fórum Fantástico, em Novembro (12 a 14), eis mais um acontecimento a não perder: Once Upon a Place. De 12 a 14 de Outubro, organizado pela Faculdade de Arquitectura da UL (e não só) e com o apoio da FCG (entre outras entidades), vai brindar-nos com a presença de Alberto Manguel.
Se houver tempo, ainda se vai ali ao lado ouvir uma história.
Se houver tempo, ainda se vai ali ao lado ouvir uma história.
Alice #3
A revista Alice #3 já está disponível. Mais um grande número, com especial destaque para a entrevista a Manuel Monteiro, revisor de profissão.
O futuro é agora
Há umas semanas, no suplemento literário do LA Times, Jacket Copy, Carolyn Kellogg assinava um artigo no qual, entre outras coisas, discutia esta proposta – a de que os editores incapazes de se adaptar aos novos tempos deveriam fechar as portas em grande e, com uma festa, sair de cena. É verdade que muitas editoras têm fins agonizantes, que se prolongam no tempo, com falências, novas gerências e eventuais demências. É mais fácil criar um projecto do que admitir que o mesmo falhou. E é igualmente certo que esta súbita necessidade de adaptação a um meio em rapidíssima transformação deixará muitos pelo caminho. Mas valerá a pena ser tão pessimista? Nos EUA não sei, mas em Portugal – enquanto no estrangeiro se fazem coisas destas e por cá se assobia para o lado – há motivos para julgar que sim.
9.9.10
Adoptar palavras
Ora aqui está uma boa ideia, comprometer-mo-nos a manter viva uma palavra em vias de extinção. Já tenho a minha: panphagous. Uma brilhante iniciativa da OUP.
Uma sugestão do meu amigo Marcelo.
Uma sugestão do meu amigo Marcelo.
7.9.10
Quando eu nasci
Soube-se ontem que o fantástico colectivo Planeta Tangerina verá um dos seus maiores (e premiados) sucessos editoriais publicado em inglês e, nada mais, nada menos, pela exigente Tate Publishing. Muitos parabéns!6.9.10
Fofoca
Um dos maiores e melhores cartoonistas de sempre, Laerte, deu uma entrevista à revista brasileira Bravo!, na qual a assumiu que gosta de se vestir de mulher e que tem estado cada vez mais à vontade com essa sua faceta. (Por acaso ou não, a revelação coincidiu com o lançamento de mais um dos seus álbuns.) O autor já tinha abordado o tema em algumas das suas tiras.Parabéns pela audácia, digo eu. É sempre bom quando um dos grandes é suficientemente grande para não ter medo de se mostrar tal como é.
(notícia)
30.8.10
26.8.10
« »
Ia a sair do hotel Ritz com Proust. Em gorjetas, ele já tinha distribuído consoante o seu coração – todo o dinheiro que tinha no bolso. Chegado diante do porteiro, apercebeu-se disso e perguntou-lhe se ele lhe poderia emprestar cinquenta francos. Vendo que o porteiro se apressava a abrir a carteira, acrescentou: «guarde-os, eram para si.»
Jean Cocteau, Cahiers Marcel Proust (Gallimard) (colhido algures)
25.8.10
E quando eu achava que já tinha visto tudo...

eis que surge a Bíblia do Surfista. Literalmente. Não é como a bíblia da cozinheira. É A Bíblia do Surfista. Tudo aqui.
Uma descoberta da minha amiga Ana.
23.8.10
Grande oferta de livros do Bibliotecário de Babel
Foi tal e qual assim. Vista soberba, participantes animados.
Sugiro que da próxima vez juntemos mais pessoas com livros em excesso e que se organize uma manhã de trocas. Pode sempre acontecer que o que a mim não me interessa encha as medidas a outrem e vice-versa. Renovam-se os volumes nas estantes, respira-se ar puro e conhecem-se pessoas novas.
Sugiro que da próxima vez juntemos mais pessoas com livros em excesso e que se organize uma manhã de trocas. Pode sempre acontecer que o que a mim não me interessa encha as medidas a outrem e vice-versa. Renovam-se os volumes nas estantes, respira-se ar puro e conhecem-se pessoas novas.
19.8.10
Mimos
Apraz-me sempre quando um editor tem o cuidado de informar o leitor sobre a tiragem da edição, os tipos utilizados, o papel eleito e dados afins. Indo além da ficha técnica, estes pormenores são relevantes para quem gosta de livros. Há, porém, ocasiões especiais, em que encontramos verdadeiras surpresas. Eis alguns exemplos:
Suicídio – Modo de Usar, Claude Guillon e Yves Le Bonniec, Antígona, 1990
Vende-se, José Pinto Carneiro, Cotovia, 1996
3.8.10
Francamenti
Em tempos de desacordo ortográfico, a Nestea aproveita a boleia com uma campanha publicitária que reivindica a inclusão da sua palavra de ordem – mudasti – no dicionário de língua portuguesa. Naturalmente, já há petições (a favor, bastante parva, e contra, um tanto tola).
Além do alarido em torno da proposta, que porá a marca e o slogan nas bocas do mundo, a estratégia da Nestea passa também por oferecer um dicionário em CD-ROM com o novo acordo ortográfico na compra de algumas embalagens do seu produto.
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