5.10.11

Guarda-livros

À imagem da nossa Livreira Anarquista (de férias?), também temos crónicas de biblioteca. Esta em particular = ♥♥♥♥♥. (Ah, e esta lista também é muito boa.)

Histórias dos meus círculos de leitora

Recentemente deram-me a ler um excerto do História do Cerco de Lisboa. Fiquei a saber que a personagem central é um revisor e decidi que compraria o livro. Já em casa, fui à estante onde estão os saramagos e vejo que afinal o tenho. Herdei-o e não cheguei a lê-lo. Primeira edição, 1989. Folheio-o e vejo que me está dedicado por alguém cujo apelido não destrinço. José Manuel? José França? Maio de 2007. Que José me assinaria um livro cordialmente em 2007? Saramago! Foi na Feira do Livro de Lisboa, quando lhe levei alguns volumes que o entretiveram por três minutos. Não costumo pedir autógrafos, mas. Uma simpatia no trato, uma disponibilidade humilde para os leitores como nunca vi. Independentemente do que fez e disse ao longo da vida, nos últimos anos, tanto quanto a saúde lhe permitia, passava as tardes na feira, amável, ao lado do seu editor, exposto a quem quisesse interpelá-lo. Havia dias em que o parque estava deserto, mas nem por isso desanimava ou se ia embora. Circulava, ouvia o pedido ocasional e rabiscava em conformidade. Estava ali.
Comecei agora a ler a História (sorrindo a intervalos ao pensar que, no ano em que nasci, o autor trabalhava para a editora em que agora trabalho). Quando acabar conto como foi.

Food for thought

Dá que pensar.

22.9.11

Acordeão ortográfico

Já pensei muito nisso, acabando vencida pelo cansaço.
Seja como for, o argumento de o acordo aproximar os portugueses de Portugal e do Brasil jamais colará. Veja-se este exemplo flagrante.

21.9.11

31.8.11

Para compensar o silêncio

Aqui fica este mimo da spoken word.



Mais?



||


Paragem temporária. Trabalhos em curso.

10.8.11

Duas más notícias e meia

Faço por me manter optimista, mas duas destas e mais meia daquela deixam qualquer um arrumado.



1. O Facebook não serve só para clubes do livro e afins, parece que a página «I Hate Reading» tem 437,800 likes. Podem ser miúdos parvos, convencidos de que são contracorrente (que ainda não descobriram que não há muitas coisas mais gostáveis e revolucionárias do que ler), mas ainda assim... (Daqui.)

2. O caso do Pequeno Gatsby. Há os digests, e depois há isto, uma coisa indescritível e alarmante. Eu não digo que ler (ler a sério, não falo de ler a sina nem o pacote de cereais) é um acto subversivo? Isto não é um resumo ou uma versão, é um atentado. E também não é uma alternativa inocente: além de estupidificante é, sobretudo, enganadora, pois traz o título original e o nome do autor na capa.
Se em tempos conseguir ler era difícil por não haver meios, parece-me que hoje o é por haver «demais».

3. Apesar das muitas lojas pilhadas em Londres, parece que as livrarias ainda estão intactas. A grande maioria dos cidadãos leitores não faria nada do género, mas os vândalos não têm curiosidade. Ainda bem?



Obrigada, S e P!

27.7.11

Babel


Não é, mas podia ser.

Daqui.

Dizer a poesia

Depois deste, há mais vídeos:


&


Mesmo quem não gosta - de poesia e/ou de recitação -, tem aqui um documento.

Ícones










Mais aqui.

26.7.11

Adiante, comandante.

Para a frente é que é o caminho!
Quanto mais leio os brasileiros mais me agrada a diversidade dos seus pontos de vista. É que sem barulho não se faz música. Gostamos muito de concordar, mas se num meio meio reaccionário não se discute não chegamos a lado nenhum. Antes cair como Ícaro do que ser engolido p'lo tédio, pá.

5.7.11

Leituras de Verão


À porta de uma mercearia, em Santorini.


Obrigada, M.!

3.7.11

Até Orwell merece uns cortes*

Não no orçamento. Na escrita. Uma boa edição de texto faz milagres. Como um bom corte de cabelo mas vezes mil.

A verdade é que é difícil dizermos o que pretendemos à primeira. Repetimo-nos, enganamo-nos, trocamos a ordem das ideias, esquecemo-nos do leitor e com a má forma podemos aniquilar o conteúdo.
Porém, sentido crítico, familiaridade com a(s) língua(s), cultura geral e talento para a cirurgia podem ressuscitar um texto.
É difícil para o paciente, que nem sempre tem a paciência necessária. Mas para o operário das obras também não é fácil. Para o primeiro, o segredo é confiar. No caso do segundo, o truque é ser-se alternadamente protector, crítico, impiedoso e criativo.

Protector para com o leitor, para com as suas expectativas, respeitando o tempo e o dinheiro que ele despenderá com o texto, mas também para com o autor/tradutor, que cairia no ridículo se certas coisas chegassem a público, e ainda para com a editora, que acolhe a obra.
Crítico para com o autor/tradutor, que são humanos e, naturalmente, falham, e para com o próprio, medindo as medidas tomadas.
Impiedoso para com o texto, fazendo o bem sem olhar a quem, avançando com coragem e razão.
Criativo nas soluções propostas, procurando beneficiar todas as partes sem ferir susceptibilidades.

Há que respeitar as intenções do autor/tradutor, as ideias no texto, as necessidades do leitor. E no meio de tudo isto manter-se invisível.
É difícil para o autor/tradutor admitir insuficiências e perfilhar passagens que não são suas.
É difícil para o revisor/editor de texto, que tem de recorrer à negociação permanente (e que deixará de conseguir ler seja o que for em paz).
A editora faz de árbitro e se o fizer bem não ficará a perder.

Se tudo correr bem, no fim ganham todos, especialmente os leitores.

Se os editores de texto fazem falta hoje? Por Zeus, mais do que nunca!


* Writing naked (nakeder than Orwell)