9.1.12

Dubito ergo cogito

15 anos de Ciberdúvidas. Década e meia de um excelente serviço prestado a todos os falantes e curiosos da língua portuguesa, que tem ajudado tradutores, revisores, professores, estudantes e o público em geral a navegar melhor pelo meio das palavras.
Obrigada, Ciberdúvidas — consultores, consulentes, cronistas e patrocinadores — por este tesouro que é de todos e que todos os dias cresce um bocadinho. 
É pela dúvida que se avança. É sim, senhor (deputado).

5.1.12

2.1.12

Listas

Há-as de tudo.
A Lake Superior State University elaborou a sua 37.ª List of Words Banished from the Queen's English for Misuse, Overuse and General Uselessness.

Eis algumas :
- Occupy
- Man Cave
- The New Normal
- Ginormous
- Thank You In Advance

Bom 2012!

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Go to hell


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23.12.11

Boas Festas!

The British writer Richard Adams, appearing alongside Gore Vidal on That Was The Week That Was, called his work "meretricious."

"Pardon?" said Vidal.


"Meretricious."

"Meretricious to you," the American replied, "and a happy new year."

19.12.11

Of all the gin joints in all the towns in all the world...


Cada um tem o que merece, diz-se. Nós, se calhar, merecemos isto. Esta citação, desta  pessoa, numa campanha destas organizada por esta associação, neste país.  Mas não deixa de ser triste.

Votos de um natal lúcido e de um 2012 possível.

5.12.11

Seven Bar Jokes Involving Grammar and Punctuation.


1. A comma splice walks into a bar, it has a drink and then leaves.
2. A dangling modifier walks into a bar. After finishing a drink, the bartender asks it to leave.
3. A question mark walks into a bar?
4. Two quotation marks “walk into” a bar.
5. A gerund and an infinitive walk into a bar, drinking to drink.
6. The bar was walked into by the passive voice.
7. Three intransitive verbs walk into a bar. They sit. They drink. They leave.

Por  Eric K. Auld, na MacSweeney's.

Perusing


18.11.11

Crises

Há dez anos era assim:

Fala-se de crise da edição portuguesa e, pela primeira vez nos últimos dez anos, quase abertamente. Um inquérito recente aos editores, publicado no Jornal de Letras a esse propósito, dá bem a ideia de que existem razões para temer as consequências destes tempos, já que o futuro é sempre optimista. Há dados que convém ter em atenção: cento e cinquenta livrarias encerraram as suas portas desde o início de 1991 até aos últimos meses do ano; o número médio de venda de cada título posto à disposição dos leitores portugueses baixou consideravelmente no mesmo período, acelerando uma tendência que já se registava desde há alguns tempos; alguns editores tomaram medidas que evidenciam uma disposição clara de desinvestir, e outros preparam-nas. Nada que não tenha acontecido em sectores diversos da vida económica portuguesa, com a diferença óbvia de, nestes casos, existir uma preocupação do Estado no sentido de possibilitar saídas para as crises que se manifestaram ou manifestam.
No caso da edição, a  situação é bem diferente. O Estado português faz aprovar um Acordo Ortográfico sem ter em conta a opinião dos editores portugueses, manifestamente contrária; uma lei como a do preço fixo, que pode vir a revelar-se disciplinadora do mercado livreiro tarda em ser discutida e publicada. Exemplos colhidos de entre aqueles que convém ter em mente no início de 1992 e da adesão plena de Portugal à CEE, como reza o lugar-comum.
A vida em geral não é simples, mas a vida da edição, essa torna-se cada vez mais perigosa.

Francisco José Viegas, no editorial da Ler n.º 17, em 1992.

8.11.11

Nota

Não cheguei a terminar a minha tradução do texto Words, de Tony Judt, mas em O Chalet da Memória, que acaba de ser lançado por Edições 70, esta e outras pérolas estão lá, cada uma mais lúcida e comovente do que a anterior.

3.11.11

Offshore em bom

Até há pouco tempo, nunca tinha ouvido falar desta aventura. São os GBA Ships, começaram em 1970 e vão no quarto navio. Logos foi o primeiro e atracou em Lisboa duas vezes (76 e 84). Diz quem lá foi que a novidade era completa e que os livros a bordo, numa espécie de feira flutuante, eram baratíssimos.
O objectivo da organização é levar ajuda e conhecimento a quem mais precisa. Segundo o site oficial (e não é difícil acreditar), estas feiras são, para muitos, a primeira oportunidade de comprar boa literatura e muitas pessoas sem meios para estudar puderam aprender e, consequentemente, melhorar as suas vidas através destes livros.

- 6000 títulos disponíveis, incluindo livros escolares e especializados;
- 40 milhões de pessoas a bordo desde 1970;
- Mais de 160 países e territórios visitados;
- 1400 aportagens.

É obra.

Para saber mais e, quiçá, contribuir: www.gbaships.org.

Obrigada pela história, P.!

25.10.11

Como se já não bastasse

Ter milhares de livros por ler e ainda haver outros tantos escondidos — eis uma lista de livros ficcionais dentro de livros (mais ou menos) reais.

À noite, entre os livros

Spike Jonze: Mourir Auprès de Toi on Nowness.com.

via S. :)

20.10.11

Uma nova era


A grande notícia da semana não é a Amazon avançar pela edição adentro. Previsível. Inevitável. De certa forma, já tardava. Quem tem o canal quer a fonte, quem tem a fonte quer o canal.
A grande notícia da semana — do mês, do ano? — é o passo dado pela Simon & Schuster. Este grupo editorial anunciou ontem o lançamento de um «portal do autor» onde os autores podem consultar o comportamento comercial das suas obras nas últimas seis semanas. (A Amazon já fornecia um serviço parecido, mas só dava as suas vendas).
Há muito que os autores querem participar activamente nas vidas dos seus títulos. O acesso a estes números, que vêm de diversas fontes, resultará numa transparência inédita. Tal abertura trará vantagens e desvantagens — provavelmente mais das primeiras, a julgar pela jogada da S&S.
Se por um lado este livre acesso à informação fomenta o envolvimento dos autores na fase de promoção e evita os contactos do tipo «como estão a correr as vendas da minha obra?», por outro responsabiliza imediatamente a editora e convida a contactos do género «por que motivo o meu livro não vende como esperado se fiz tudo o que sugeriram?».
Uma coisa é certa: autor e leitor ganham. O primeiro fica um pouco menos às escuras e descobre novas ferramentas, conseguindo pensar o seu livro (e os seguintes) de outras formas, o segundo lucra com o esforço.
A minha previsão é a de que com este gesto de coragem (pioneiro, tomado na devida altura, quando ainda não era inevitável) a editora ganhará também: mesmo sabendo que com isso terá alguns aborrecimentos pela frente, ao abdicar de um pouco de controlo conquista colaboração e confiança. E a confiança dos autores no trabalho da editora não tem preço.

O futuro não pertence a quem tem mais, pertence a quem faz melhor. Vejamos o que aí vem.

17.10.11

Comparações

O negócio editorial não se assemelha a nenhum outro. Por vários motivos. A começar pelo facto de não se vender muito de uns quantos produtos, e sim pouco de muitos produtos complexos. Além de o paradigma ser o da cauda longa, as estruturas das editoras e o mercado do livro desdobram-se em especificidades filigrânicas (o que pode ser, e geralmente é, um desafio infernal para o gestor que «vem de fora»).
Durante anos (na verdade, até ontem), achei que o negócio dos livros tinha características tão próprias que não havia comparação possível. Até que me lembrei de uma analogia que encaixa na perfeição em muitos pontos. Com as devidas salvaguardas, esta comparação pode permitir-nos pensar a economia do livro e a gestão das editoras de outra forma.

E que indústria é esta, com tantos paralelos com a do livro? A farmacêutica.

• Autores em domínio público = genéricos.
• Livros académicos/científicos/especializados = medicamentos específicos, que exigem investigação pioneira e dispendiosa.
• Livros de grande público = medicamentos generalistas, não sujeitos a receita médica. Como há mais concorrência, o investimento em marketing tem de ser maior.
• Professores e outros prescritores = Médicos.
• …

Depois há muitas diferenças, claro:

• O Estado comparticipa em grande escala muitos medicamentos e todos os cidadãos precisam de os tomar numa altura ou noutra, ao passo que, no livro, têm os editores de dar uma parte ao Estado (11 exemplares obrigatoriamente cedidos para distribuição pelas principais bibliotecas – o chamado depósito legal) e o cidadão só compra livros se quiser.
• Farmacêuticas e farmácias estão relativamente bem organizadas e agrupam-se em associações distintas.
• …

Porém, alguns problemas são realmente parecidos:

• Onde dantes havia pontos de venda exclusivos – livrarias e farmácias –, agora temos uma abertura ao grande mercado – hipers, lojas generalistas, parafarmácias – que é simultaneamente uma ameaça e uma oportunidade.
• Os livreiros/farmacêuticos de ontem, que aconselhavam o cliente, foram substituídos em muitos casos por pessoas sem experiência, com baixos salários e alta rotatividade, cuja única habilitação é um colete/uma bata branca.
• …

A dimensão dos dois sectores na nossa economia pode ser bem diferente (e o gestor que actua num pode revelar-se inútil no outro), mas há problemas comuns. Assim sendo, talvez as soluções sejam análogas. Olhemos então para as estratégias deste «gémeo», já muito profissionalizado, e pensemos nas lições que podemos daí tirar.