28.6.12

Por que escrevo

Subscrevemos os mesmos sites, de certeza, porque eu ia fazer um post com isto e o autor do blogue Malomil antecipou-se. Ora espreitem.

Giro, não é? 

Conheço bem o Por que escrevo e outros ensaios, publicado entre nós pela Antígona, e os outros timeless insights on writing. O que este texto da Atlantic me lembrou foi de uma coisa extraordinária (para mim, claro): que não tenho motivo para escrever. Além de uma vaga necessidade de «pôr cá para fora» (vulgar, eu sei) como quem tem de vomitar de vez em quando* (desculpem-me, leitores mais sensíveis), de desenrolar uma meada interna, e do prazer de descobrir coisas que não sabia que tinha cá dentro, de ver as rodas dentadas a mexerem sozinhas, não há nada que justifique esta coisa de pôr as mãos à obra.

No ego, no beauty, no purpose. Não o faço para mostrar, não o faço para mudar o mundo, não me delicio com o fôlego estético do que gero, nem, pelo menos de momento, tenho um patamar imposto a que chegar. Talvez por isso saiba tão bem.

Se tivesse um objectivo, isso podia acabar com a graça. Numa vida de prazos, orçamentos, correcções, comparações, grelhas, burocracia, actas e pastilhas que tais, ler e escrever sem rumo são coitos. Aqui não vale, ninguém me apanha, as regras não se aplicam. No jogo do mundo**, às vezes sabe bem não participar.

Que eu saiba, não escrevo por nada, para nada, escrevo porque escrevo. Pode ser que isso mude, pode ser que não. E não saber por que escrevo é em boa parte motivação para escrever.
Se um dia descobrir uma razão concreta, aviso. Mas espero continuar na ignorância.

Tantos conselhos, tantas regras, tantas opiniões. Gosto muito, mas não me adapto a metade, se tanto. Para todas as perguntas que me fizerem acerca da escrita, a resposta será quase sempre «não sei», ou então formulada de improviso. Quando começo a achar alguma coisa, no dia seguinte desengano-me. Não escrevo escrevo; invento uma coisas, sem saber para onde vou. 

Isto tira valor ao que faço? Adivinhem a resposta: não sei. Acho que não, mas não estou interessada em saber; porque não importa.


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No fim de tantos conselhos sábios de tantos veneráveis, há ainda espaço para as minhas duas únicas humildes achegas, que nunca li em lado algum.
Gente que escreve ou pensa em escrever: tenham a coragem de não saber (quer queiram saber ou não) e a coragem de pôr os pés ao caminho apesar de não saberem.


* Coelhinhos de Cortázar. :)
** Segunda referência involuntária a Cortázar.

26.6.12

Fifty Shades of qualquer coisa

Para quem ainda não sabe, o livro Fifty Shades of Gray é uma obra de fanfiction com base universo Crepúsculo (sim, aquele dos vampiros). Apresenta-se como literatura erótica e chegou aos tops de vendas, muito graças ao anonimado que o download de livros electrónicos permite. 
Não li, nem preciso; esta crítica chega e sobra para me esclarecer e fazer chorar de tanto rir. Mas, entretanto, ficam algumas questões no ar: Será a fanfiction legítima? Até que ponto se pode reciclar uma receita?


21.6.12

Imaginário

Ben West e Felix Heyes acabam de lançar o Google Book, um dicionário de imagens. Pegaram nas 21 000 palavras de um dicionário, pesquisaram imagens no Google e «dicionarizaram» a primeira que apareceu. Eis o resultado:



Definitivamente, ceci n'est pas un e-book.

Podem ler mais sobre o assunto aqui

PS: Gosto especialmente da capa.

20.6.12

π-ssoa

Pessoa é infinito. Dá para tudo e para todos. O de Cavalcanti, além de poeta, é vaidoso, caloteiro, inventor dos matraquilhos (?!) e provavelmente gay
Depois desta entrevista, fiquei curiosa: saberia o brasileiro bonacheirão do que falava? O que é verdade e o que é invenção? Não corri para a livraria porque a ideia de alguém se aventurar, ao longo de 700 páginas, a imitar o estilo de Pessoa (as if) me deixou com fastio logo ali. Aguarde-se pela crítica, nesse caso. E ela chegou. Nas linhas que imaginei, mas muito mais demolidora do que poderia supor, Teresa Rita Lopes arrasa o livro, e o autor (ou co-autor?, cristo!), numa penada.
Eis o texto, que merece leitura integral: Incompreender Pessoa
Hoje, o Ípsilon, suplemento onde saiu a crítica de TRL, anuncia no seu Facebook que Cavalcanti terá espaço para uma carta-resposta na próxima edição em papel. 

São coisas destas que vendem jornais. Intelectual de mão na anca põe tudo a ler. Haja coragem de lavar a roupagem em praça pública, desde que se o faça com graça. Venham as polémicas! De preferência com elevação, mas se for mais pedestre o povo também não reclama. O que é preciso é mexer, debater e ter opinião. Eu sou team TRL, mas estou desejosa que me contradigam.


Cronologia:
5 de Abril - Blogue «Um Fernando Pessoa» faz uma apreciação crítica do livro (a meu ver, equilibrada).
20 de Abril - O autor é entrevistado pelo Sol.
26 de Abril - O livro é apresentado na Casa Fernando Pessoa.
4 de Maio -  Teresa Rita Lopes psicografa uma carta de Álvaro de Campos sobre a biografia.
6 de Maio - É emitida a entrevista ao autor na TVI24.
9 de Maio - O autor responde à carta de TRL.
25 de Maio - TRL publica a sua crítica no Ípsilon.
31 de Maio - Nova carta psicografada por TRL.
16 de Junho - Richard Zenith divulga no suplemento Q informações importantes.
16 de Junho - TRL, no DN, tem novo texto sobre o assunto.
22 de Junho - Sairá carta do autor no Ípsilon. Aguardemos.

19.6.12

Working class hero

Senhoras e senhores, a isto se deve o meu silêncio:


Acabei agora uma tradução grande e espero, finalmente, começar a pôr leituras e escrituras em dia.*

*Vou rabiscando umas coisas neste blogue, ligado à Com Texto (ainda que noutro registo).

16.4.12

Das coisas mais hilariantes (e tristes) que li nos últimos tempos

Deliciai-vos.

«LAYOUT - Design Editorial, Boas Práticas de Composição e Regras Tipográficas»

O sempre recomendável site tipografos.net está a comercializar um e-book sobre design editorial, da autoria de Paulo Heitlinger. 
Podem consultar os pormenores aqui e descarregar as primeiras 25 páginas do livro aqui.

12.4.12

Livro fumável

E se achavam que estes dez livros eram bizarros, o que dizer da obra que reúne algumas letras do rapper Snoop Dog, totalmente feita de cânhamo?




Livros e cigarros, senhor Orwell? Pelos vistos, podem ser uma e a mesma coisa...

Se ficaram curiosos, espreitem a notícia, que inclui um vídeo do autor.

Tipografia ao ar livre

No outro dia, parada num semáforo, olhei para a esquerda e dei de caras com um cartaz invulgar. Semicerro os olhos e percebo que é obra do Mário Feliciano, um dos mais conceituados tipógrafos portugueses, fundador da Feliciano Type Foundry. Fazendo uma pesquisa rápida, descobri que o outdoor que faz parte de uma iniciativa que envolve 18 artistas. É bom ver um tipógrafo entre eles, é bom ver letras à solta na cidade.



Não sei se já retiraram os cartazes (deixam tanto tempo os das campanhas eleitorais, bem podiam deixar estes...), mas o percurso está descrito aqui.

10.4.12

Editores do mundo, escutai!

Havendo muitos «livros secretos» disto e daquilo (vendas e não sei que mais), que tal publicar O Livro Secreto dos Livros Secretos? Se corresse bem, passávamos à sequela: O Guia Completo dos Guias Completos
Que digo eu? Estamos perante uma saga! O Manual Prático dos Manuais Práticos, 101 Respostas de A a Z, O Grande Livro dos Pequenos Livros.

Depois, para não cansar, variávamos um pouco: O Manual Prático dos Livros Secretos, 1001 Guias Completos para Consultar antes de Morrer...

16.3.12

Entrevista a Dulce Maria Cardoso



Ontem, na Sic Notícias, apesar da sua confrangedora atrapalhação, Márcio Crespo lá entrevistou Dulce Maria Cardoso, que, grande e amável (como só os grandes sabem ser), foi contando uma história pouco conhecida, a dos retornados, tema do seu último livro, O Retorno, recentemente publicado pela Tinta da China. 
Nunca li nada da autora, nem gostei especialmente do texto que MC leu no início, mas a sua autenticidade ao longo da entrevista fez-me querer saber mais dela, desta gente e deste período, uma odisseia de ontem e não uma anedota distante. 

Da entrevista retenho ainda uma ideia que Dulce Maria Cardoso referiu de passagem mas que merece sublinhado: «As possibilidades da literatura são tão grandes como as suas limitações.»

11.3.12

Winkingbooks



Para quem ainda não sabe, o site Winkingbooks é uma plataforma de troca de livros. De Saramago a  Stieg Larson, de George Steiner a Jorge de Sena, há lá um pouco de tudo. Parece-me um sistema relativamente justo (embora haja quem despeje livros miseráveis só para acumular pontos) e funciona bastante bem. Eu própria já agarrei boas oportunidades. Resumindo, recomendo.

29.2.12

Book (Fight) Club


Assim está bem. Contem comigo.

Malomil

Estou in love e in awe com o blogue Malomil, que nos brinda com pérola trás de pérola. Os temas vão da política às letras, passando pelas artes gráficas. Os pontos de vista do autor, António Araújo, oscilam entre o ácido e o melancólico e são sempre interessantes. Se não acreditam, espreitem a sua rubrica «Histórias da realidade improvável», este post sobre as capas de Cândido da Costa Pinto para a Colecção Vampiro ou este, uma recordação de viagem.

10.2.12

♥ Maurice Sendak ♥



Caras conhecidas

Já tinha sonhado com isto e afinal parece que nem é novidade: retratos-robot de personagens literárias a partir das suas descrições. 

Voilà Madame Bovary:
Via. Mais aqui.