Página principal

Mostrar mensagens com a etiqueta capas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta capas. Mostrar todas as mensagens

29.11.12

O mal-estar na Civilização

A Civilização acaba de lançar uma nova colecção. Eis o que está no Facebook:


«A  Civilização reedita uma coleção de clássicos intemporais que enriquecerão a biblioteca de qualquer pessoa. Clássicos de sempre, da literatura portuguesa e mundial, com capas modernas e atrativas:

- A Queda Dum Anjo | Camilo Castelo Branco
- Jane Eyre | Charlotte Bronte
- O Monte dos Vendavais| Emily Bronte
- A Túlipa Negra | Alexandre Dumas
- Orgulho e Preconceito | Jane Austen
- O Primo Basílio | Eça de Queirós
- Nossa Senhora de Paris | Vítor Hugo
- Madame Bovary | Gustave Flaubert

Os títulos têm um preço muito apelativo, fazendo destes livros uma prenda perfeita para este natal!
Procure-os numa livraria ou hipermercado.»


De imediato, reconheço o grafismo. Tem mais do que meras semelhanças com as capas de outra editora:





Estas, as bonitas, foram feitas por Coralie Bickford-Smith para a Penguin Classics. As outras, da colecção Clássicos, não imagino. Terei de consultar um exemplar.

Vês-se bem que não são da mesma autora. Dúvidas houvesse, bastaria comparar as capas dos relógios, a d' O Primo Basílio e a de Oliver Twist. Quem faz uma não faz a outra, e vice-versa.

Além de o design ser uma cópia descarada, o caso assume contornos mais estranhos: a Civilização é detida pela Dorling Kindersley, que, por sua vez, pertence à Penguin almighty.

O que se terá passado aqui, afinal?

Mensagens subliminares

Há-as em engenhosas capas de livros:


E em alguns convites para lançamentos:



17.10.12

Nome Grande, Letras Largas

Já terão reparado que, quando um escritor é pouco conhecido, o elemento de texto que surge com maior visibilidade na capa é o título. À medida que o nome do autor vai ganhando reconhecimento junto dos leitores, passa a ser esse o elemento destacado. Embora isto não seja uma regra fixa, é o que acontece na maioria dos casos.
Exemplos:





O equilíbrio ora pende para um lado, ora pende para outro, mas as proporções costumam ser respeitadas.
Agora veja-se este absurdo: 
 Conseguem ler o título?



No mínimo, um grande contraste com a capa da edição anterior:

4.10.12

Bancos de imagens

Na edição, os bancos de imagens podem ser usados para o bem, para o assim-assim, mas também para o mal:


Me-do.

Mais aqui.

2.10.12

Exactitudes

A fazer lembrar capas de livros:


Mais aqui.




30.9.12

Avril au Portugal

Há tanto a dizer sobre isto! Os bancos de imagens, o funcionamento dos «ateliers», a manipulação de fotografias, as responsabilidades de um editor, a conturbada relação capa-conteúdo, a promoção de equívocos, o papel do humor na crítica, o diálogo do crítico com o autor... 
Gostaria de falar de tudo isto, mas, por ter muito que fazer (não é bem a novela ao lume, mas quase), só posso deixar uma pequena nota:

A editora e a equipa de Cayatte asnearam, António Araújo e muito bem apontou. O designer acusou o toque e respondeu. Óptimo. É este o efeito de uma boa crítica.
Há só um problema: a defesa de Cayatte deixa algo a desejar. Passando por cima dos aspectos «isso-não-é-uma-crítica-é-uma-ofensa» e outros, ao fim e ao cabo, o que diz é que lhe pareceu bem e aos seus clientes ilustrar um livro sobre o 25 de Abril com uma imagem do Maio de 68 porque, alegadamente, «Paris e o Maio de 68 são aí referência importante». António Araújo afirma que não, que não são referências na obra, e sou levada a acreditar.

Henrique Cayatte poderia ter dito outra coisa. Que tinha escolhido a imagem por ser evocativa da relação dos protagonistas, por não ter encontrado uma fotografia tão boa como essa, que estava ciente de que havia essa valente discrepância histórica e que a tinha assumido desde o início, que a escolhera por ser bonita, por funcionar na livraria ou por quaisquer outros motivos. A porca torce o rabo é quando se quer convencer o interlocutor de que o conteúdo do livro legitima o uso de uma imagem extemporânea. O livro chama-se Cinzas de Abril e é sobre um par que atravessa os dias da revolução em Portugal. Por muitas voltas que se dê, a acção não é sobre o par a atravessar o boulevard, a ponte 25 de Abril ou qualquer outro tempo ou lugar.

É um erro retratar ou simbolizar um acontecimento com a imagem de outro? Claro que é. Pode ser um erro que funcione visualmente e em termos de vendas, mas é um erro.
Uma capa não tem de ser, na maior parte dos casos, o resumo ou o espelho do conteúdo, mas, sempre que possível (e é sempre possível), não deve induzir em erro. Um editor, um autor e um designer, três cabeças a pensar, podiam ter pensado nisso. Não pensaram, daí a crítica. 

A coragem e a frontalidade de responder a uma crítica são atitudes muito louváveis, mas realmente louvável seria reconhecer que houve um deslize. Que o pé fugiu para o mercado, para o fácil ou para o agradável. Acontece. Às vezes, aos melhores.

Pode ser que a próxima resposta de Henrique Cayatte a António Araújo seja mais consistente. Pode ser que a próxima edição do livro saia com uma capa mais certeira.

1.5.11

Cover to cover #1

Eis um exemplo de como se faz a capa de um livro.

19.12.10

Cover lover #2


Daqui (do lóbulo da orelha).

Cover lover #1



Uma publicação destes senhores, encontrada aqui (e a fazer lembrar esta).