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9.10.12

Um manifesto

Vale a pena ler este manifesto a favor da crítica e dos críticos. Ficam aqui os meus sublinhados:

The serious critic cannot be a monomaniacal controversialist.

Particularly in a culture that is awash in hype and promotion [...], a vital function of the critic is to peel away the swoony publisher’s hype, the self-congratulation of an author’s Twitter feed, and to reorient the conversation to where it belongs: the work and its merits and flaws, as judged against genuine knowledge and disinterested taste. 
 
There is usually something to like in even the weakest work—just as there is nearly always some weakness in the strongest work; most reviews, if anything, should be somewhat mixed. 
 
When you write criticism about literature or any other subject, you’re writing for literature or that subject [...].
 
The role of the critic, I repeat, is to mediate intelligently and stylishly between a work and its audience; to educate and edify in an engaging and, preferably, entertaining way. (Critics, more than any other kind of writer, should have a sense of humor.)

The fact is that criticism is its own genre, a legitimate and (yes) creative enterprise for which, in fact, very few people are suited—because very few people have the rare combination of qualities that make a good critic, just as very few people have the combination of qualities that make a good novelist or poet.

 

1.8.12

Nível crítico: Panzer

António Araújo passa por cima de Domingos Amaral uma, duas, três e quatro vezes com um tanque de guerra. Vale a pena ler de fio a pavio a crónica deste desastre, a fazer lembrar a que Rogério Casanova dedicou a Margarida Rebelo Pinto. 

Claro que se pode discutir uma série de coisas e racionalizar o que se quiser, tendo sempre alguma ou muita razão. O certo é que sabe bem, de vez em quando, ver alguém chamar trampa à trampa. Essa confirmação faz-nos sentir um pouco menos loucos e um pouco menos sós.

Obrigada, AA, por um trabalho tão bem feito que fez com que a hilaridade superasse a depressão. Alguns dos seus trocadilhos mereciam ser tatuados.

20.6.12

π-ssoa

Pessoa é infinito. Dá para tudo e para todos. O de Cavalcanti, além de poeta, é vaidoso, caloteiro, inventor dos matraquilhos (?!) e provavelmente gay
Depois desta entrevista, fiquei curiosa: saberia o brasileiro bonacheirão do que falava? O que é verdade e o que é invenção? Não corri para a livraria porque a ideia de alguém se aventurar, ao longo de 700 páginas, a imitar o estilo de Pessoa (as if) me deixou com fastio logo ali. Aguarde-se pela crítica, nesse caso. E ela chegou. Nas linhas que imaginei, mas muito mais demolidora do que poderia supor, Teresa Rita Lopes arrasa o livro, e o autor (ou co-autor?, cristo!), numa penada.
Eis o texto, que merece leitura integral: Incompreender Pessoa
Hoje, o Ípsilon, suplemento onde saiu a crítica de TRL, anuncia no seu Facebook que Cavalcanti terá espaço para uma carta-resposta na próxima edição em papel. 

São coisas destas que vendem jornais. Intelectual de mão na anca põe tudo a ler. Haja coragem de lavar a roupagem em praça pública, desde que se o faça com graça. Venham as polémicas! De preferência com elevação, mas se for mais pedestre o povo também não reclama. O que é preciso é mexer, debater e ter opinião. Eu sou team TRL, mas estou desejosa que me contradigam.


Cronologia:
5 de Abril - Blogue «Um Fernando Pessoa» faz uma apreciação crítica do livro (a meu ver, equilibrada).
20 de Abril - O autor é entrevistado pelo Sol.
26 de Abril - O livro é apresentado na Casa Fernando Pessoa.
4 de Maio -  Teresa Rita Lopes psicografa uma carta de Álvaro de Campos sobre a biografia.
6 de Maio - É emitida a entrevista ao autor na TVI24.
9 de Maio - O autor responde à carta de TRL.
25 de Maio - TRL publica a sua crítica no Ípsilon.
31 de Maio - Nova carta psicografada por TRL.
16 de Junho - Richard Zenith divulga no suplemento Q informações importantes.
16 de Junho - TRL, no DN, tem novo texto sobre o assunto.
22 de Junho - Sairá carta do autor no Ípsilon. Aguardemos.

31.1.12

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A critic is someone who enters the battlefield after the war is over and shoots the wounded.

Murray Kempton

5.10.11

Cerejas

A propósito disto, lembrei-me desta bela lista, que não tendo a ver até tem. Críticos, escritores, escritores críticos e críticos escritores, a que depois ainda se juntam leitores e não-leitores. Uma grande confusão. Geralmente acerca de nada. (Neste caso, de coisa nenhuma.)



William Faulkner sobre Ernest Hemingway:
“He has never been known to use a word that might send a reader to the dictionary.”

Ernest Hemingway sobre William Faulkner:
“Poor Faulkner. Does he really think big emotions come from big words?”

17.10.10

Nós por lá

«Crítica» ao Livro do Dessassossego, de Fernando Pessoa, no Guardian. (Não lhe faz justiça, mas any publicity is good publicity.)