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4.1.13

Tempo para ler

Adoro quando as pessoas dizem que não têm tempo para ler livros quando, na verdade, o que não têm é interesse (elas próprias ou no mundo). Têm sempre tempo para estar ocupadas ou para se distrair com qualquer coisa que «descanse a cabeça», isso têm.
A provar mais uma vez que tudo isso é um disparate, Jeff Ryan, pai de filhos, marido de mulher e trabalhador a tempo inteiro, propôs-se ler um livro por dia em 2012: 366 livros em 366 dias. E conseguiu. O artigo, que conta como foi, está aqui e recomenda-se. Que sirva de inspiração.

Bom 2013!

17.12.12

Livros no telemóvel

Há uns anos, disseram-me que os japoneses liam livros no telemóvel. Também me disseram que os seus livros eram impressos em papel de jornal e que os deitavam fora depois de os ler ou que os largavam algures num sítio público. Apegada que sou aos objectos, fiquei espantada, mas lá acreditei, por já conhecer a sua falta de espaço em casa e o seu desprendimento e sentido prático (para algumas coisas). Agora aquela do telemóvel é que eu não engolia. Era invenção. Eu, no meu pequeno ecrã verde com letras pretas aos cubinhos, pouco mais lia do que três linhas de SMS de cada vez como seria possível ler um livro ali? E como funcionaria? Pagava-se a uma entidade que nos ia enviando parágrafos em SMS? A caixa de mensagens não ficaria cheia?
O engano foi-se desfazendo devagar, aos bocadinhos, e lá fiquei a saber como era. Hoje, a pensar no que tinha lido neste ano que termina, apercebi-me de que li no telemóvel, entre metro e salas de espera, um livro que em papel tem 800 páginas, um outro de 500, indo a 20% de um terceiro, de 500. Não restam dúvidas, vivo no futuro.

18.1.12

Campanhas

A Milwaukee Public Library lançou uma bela campanha de incentivo à leitura, que tem dado que falar on-line:



Não me importava de ver uma coisa destas por cá.

Obrigada, S! :)

3.11.11

Offshore em bom

Até há pouco tempo, nunca tinha ouvido falar desta aventura. São os GBA Ships, começaram em 1970 e vão no quarto navio. Logos foi o primeiro e atracou em Lisboa duas vezes (76 e 84). Diz quem lá foi que a novidade era completa e que os livros a bordo, numa espécie de feira flutuante, eram baratíssimos.
O objectivo da organização é levar ajuda e conhecimento a quem mais precisa. Segundo o site oficial (e não é difícil acreditar), estas feiras são, para muitos, a primeira oportunidade de comprar boa literatura e muitas pessoas sem meios para estudar puderam aprender e, consequentemente, melhorar as suas vidas através destes livros.

- 6000 títulos disponíveis, incluindo livros escolares e especializados;
- 40 milhões de pessoas a bordo desde 1970;
- Mais de 160 países e territórios visitados;
- 1400 aportagens.

É obra.

Para saber mais e, quiçá, contribuir: www.gbaships.org.

Obrigada pela história, P.!

5.10.11

Histórias dos meus círculos de leitora

Recentemente deram-me a ler um excerto do História do Cerco de Lisboa. Fiquei a saber que a personagem central é um revisor e decidi que compraria o livro. Já em casa, fui à estante onde estão os saramagos e vejo que afinal o tenho. Herdei-o e não cheguei a lê-lo. Primeira edição, 1989. Folheio-o e vejo que me está dedicado por alguém cujo apelido não destrinço. José Manuel? José França? Maio de 2007. Que José me assinaria um livro cordialmente em 2007? Saramago! Foi na Feira do Livro de Lisboa, quando lhe levei alguns volumes que o entretiveram por três minutos. Não costumo pedir autógrafos, mas. Uma simpatia no trato, uma disponibilidade humilde para os leitores como nunca vi. Independentemente do que fez e disse ao longo da vida, nos últimos anos, tanto quanto a saúde lhe permitia, passava as tardes na feira, amável, ao lado do seu editor, exposto a quem quisesse interpelá-lo. Havia dias em que o parque estava deserto, mas nem por isso desanimava ou se ia embora. Circulava, ouvia o pedido ocasional e rabiscava em conformidade. Estava ali.
Comecei agora a ler a História (sorrindo a intervalos ao pensar que, no ano em que nasci, o autor trabalhava para a editora em que agora trabalho). Quando acabar conto como foi.

10.8.11

Duas más notícias e meia

Faço por me manter optimista, mas duas destas e mais meia daquela deixam qualquer um arrumado.



1. O Facebook não serve só para clubes do livro e afins, parece que a página «I Hate Reading» tem 437,800 likes. Podem ser miúdos parvos, convencidos de que são contracorrente (que ainda não descobriram que não há muitas coisas mais gostáveis e revolucionárias do que ler), mas ainda assim... (Daqui.)

2. O caso do Pequeno Gatsby. Há os digests, e depois há isto, uma coisa indescritível e alarmante. Eu não digo que ler (ler a sério, não falo de ler a sina nem o pacote de cereais) é um acto subversivo? Isto não é um resumo ou uma versão, é um atentado. E também não é uma alternativa inocente: além de estupidificante é, sobretudo, enganadora, pois traz o título original e o nome do autor na capa.
Se em tempos conseguir ler era difícil por não haver meios, parece-me que hoje o é por haver «demais».

3. Apesar das muitas lojas pilhadas em Londres, parece que as livrarias ainda estão intactas. A grande maioria dos cidadãos leitores não faria nada do género, mas os vândalos não têm curiosidade. Ainda bem?



Obrigada, S e P!

21.5.11

Grande troca de livros - um balanço







Começou às 11h10 e durou até às 14h, altura em que fomos almoçar. As pessoas foram aparecendo, conversando, propondo trocas, apreciando a vista, bebendo refrescos na esplanada do quiosque. Fomos menos do que imaginara, mas correu às mil maravilhas. Ainda ofereci livros, recebi uns de bónus também. (A esperança de me desfazer do volume de livros não se cumpriu.) A qualidade da oferta presente surpreendeu: Maria Gabriela Llansol, John Cheever, Eça...
Livrei-me de: António Lobo Antunes, Miguel Sousa Tavares, Jorge de Sena, Süskind, entre outros. Trouxe: Breton, Mishima, Cesário Verde, livros de arte e design, um Saul Bellow, um Beatriz e Virgílio, um Prestígio, e muitos, muitos mais.
Fiquei com taaaantos ainda: Sade, Platão, Margarida Rebelo Pinto, O Mundo de Sofia, Henry Miller, Heidegger, romances históricos novos, uff!...
Para a próxima levo-os de novo a passear. Sim, porque espero que possamos repetir em breve, ainda com mais participantes. Que dizem? Para o mês que vem ou lá para Setembro?