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29.11.12

O mal-estar na Civilização

A Civilização acaba de lançar uma nova colecção. Eis o que está no Facebook:


«A  Civilização reedita uma coleção de clássicos intemporais que enriquecerão a biblioteca de qualquer pessoa. Clássicos de sempre, da literatura portuguesa e mundial, com capas modernas e atrativas:

- A Queda Dum Anjo | Camilo Castelo Branco
- Jane Eyre | Charlotte Bronte
- O Monte dos Vendavais| Emily Bronte
- A Túlipa Negra | Alexandre Dumas
- Orgulho e Preconceito | Jane Austen
- O Primo Basílio | Eça de Queirós
- Nossa Senhora de Paris | Vítor Hugo
- Madame Bovary | Gustave Flaubert

Os títulos têm um preço muito apelativo, fazendo destes livros uma prenda perfeita para este natal!
Procure-os numa livraria ou hipermercado.»


De imediato, reconheço o grafismo. Tem mais do que meras semelhanças com as capas de outra editora:





Estas, as bonitas, foram feitas por Coralie Bickford-Smith para a Penguin Classics. As outras, da colecção Clássicos, não imagino. Terei de consultar um exemplar.

Vês-se bem que não são da mesma autora. Dúvidas houvesse, bastaria comparar as capas dos relógios, a d' O Primo Basílio e a de Oliver Twist. Quem faz uma não faz a outra, e vice-versa.

Além de o design ser uma cópia descarada, o caso assume contornos mais estranhos: a Civilização é detida pela Dorling Kindersley, que, por sua vez, pertence à Penguin almighty.

O que se terá passado aqui, afinal?

20.10.11

Uma nova era


A grande notícia da semana não é a Amazon avançar pela edição adentro. Previsível. Inevitável. De certa forma, já tardava. Quem tem o canal quer a fonte, quem tem a fonte quer o canal.
A grande notícia da semana — do mês, do ano? — é o passo dado pela Simon & Schuster. Este grupo editorial anunciou ontem o lançamento de um «portal do autor» onde os autores podem consultar o comportamento comercial das suas obras nas últimas seis semanas. (A Amazon já fornecia um serviço parecido, mas só dava as suas vendas).
Há muito que os autores querem participar activamente nas vidas dos seus títulos. O acesso a estes números, que vêm de diversas fontes, resultará numa transparência inédita. Tal abertura trará vantagens e desvantagens — provavelmente mais das primeiras, a julgar pela jogada da S&S.
Se por um lado este livre acesso à informação fomenta o envolvimento dos autores na fase de promoção e evita os contactos do tipo «como estão a correr as vendas da minha obra?», por outro responsabiliza imediatamente a editora e convida a contactos do género «por que motivo o meu livro não vende como esperado se fiz tudo o que sugeriram?».
Uma coisa é certa: autor e leitor ganham. O primeiro fica um pouco menos às escuras e descobre novas ferramentas, conseguindo pensar o seu livro (e os seguintes) de outras formas, o segundo lucra com o esforço.
A minha previsão é a de que com este gesto de coragem (pioneiro, tomado na devida altura, quando ainda não era inevitável) a editora ganhará também: mesmo sabendo que com isso terá alguns aborrecimentos pela frente, ao abdicar de um pouco de controlo conquista colaboração e confiança. E a confiança dos autores no trabalho da editora não tem preço.

O futuro não pertence a quem tem mais, pertence a quem faz melhor. Vejamos o que aí vem.

25.5.11

Nomes próprios

I've got the name for our publishing house. We just said we were going to publish a few books on the side at random. Let's call it Random House.
Bennett Cerf, co-fundador da Random House (25.05.1898 - 27.08.1971)


Hm...

& ETC, 101 NOITES, 7 DIAS 6 NOITES, 7 NÓS, 90 GRAUS, A ESFERA DOS LIVROS, ABRIL, ACADEMIA DO LIVRO, ACTUAL, AFRODITE, AFRONTAMENTO, AHAB, ALÊTHEIA, ALFA, ALFABETO, ALFAGUARA, ALMEDINA, AMBAR, ÂNCORA, ANGELUS NOVUS, ANTAGONISTA, ANTÍGONA, AQUÁRIO, ARCÁDIA, AREAL, ARGUMENTUM, ARIADNE, ARTE PLURAL, ASA, ASSÍRIO & ALVIM, ÁTICA, AVANTE!, AVERNO, BAGS OF BOOKS, BE-A-BA, BERTRAND, BICO DE PENA, BIZÂNCIO, BLACK SON, BLAU, BOCA, BOOKSMILE, BOOKTREE, CADERNO, CAIXOTIM, CALEIDOSCÓPIO, CALENDÁRIO DE LETRAS, CAMINHO, CAMÕES E COMPANHIA, CAMPO DAS LETRAS, CÃO MENOR, CASA DAS LETRAS, CASA DO SUL, CAVALO DE FERRO, CHÁ DAS CINCO, CHIADO, CHILLI COM CARNE, CÍRCULO DE LEITORES, CIVILIZAÇÃO, CLÁSSICA, CLIMEPSI, CLUBE DO AUTOR, COIMBRA, COISAS DE LER, COLIBRI, COMPANHIA DAS ARTES, COMUNICAÇÃO, CONFLUÊNCIA, CONTEXTO, CONTRA-MARGEM, CONTRAPONTO, CORPOS, COSMOS, DAFNE, DE MÃOS NO FOGO, DESABROCHAR, DEVIR, DIDÁCTICA, DIFEL, DIFERENÇA, DINALIVRO, ECOPY, EDI9, EDICARE,
EDIÇÕES 70, EDIÇÕES ANTIPÁTICAS, EDIÇÕES NELSON DE MATOS, EDITORIAL NOTÍCIAS, ELA POR ELA, ERRATA, ESFERA DO CAOS, ESFERA DOS LIVROS, ÉSQUILO, ESTAMPA, ESTRELA POLAR, ESTROFES & VERSOS, ESTÚDIOS COR, ETEROGÉMEAS, EUCLEIA, EUROPA-AMÉRICA, EUROPRESS, FENDA, FIGUEIRINHAS, FIM DE SÉCULO, FÓLIO, FONTE DA PALAVRA, FRENESI, GAILIVRO, GATAFUNHO, GESTÃO PLUS, GIRASSOL, GÓTICA, GRADIVA, GUERRA E PAZ EDITORES, GUIMARÃES, HUGIN, ÍMAN EDIÇÕES, INQUÉRITO, JOÃO AZEVEDO EDITOR, K EDITORA, KALANDRAKA, LEGIS EDITORA, LELLO, LISBOA, LIVRO DO DIA, LIVROS DE AREIA, LIVROS D'HOJE, LUA DE PAPEL, LUGAR DA PALAVRA, LUSODIDACTA, MÁ CRIAÇÃO, MAGNÓLIA, MILL BOOKS, MINERVA, MINOTAURO, MINUTOS DE LEITURA, MULTINOVA, NOVA GUANABARA, NOVA VEJA, OBJECTIVA, OCEANOS, OFICINA DO LIVRO, OQO, ORFEU NEGRO, OVNI, PAPIRO, PARCERIA A. M. PEREIRA, PAULINAS, PAULUS, PÉ DE PÁGINA, PEDRA DA LUA, PERGAMINHO, PÉRIPLO, PERSPECTIVAS & REALIDADES, PLANETA, PLANETA TANGERINA, PLÁTANO, PORTO, PORTUGÁLIA, PREFÁCIO, PRESENÇA, PRIME BOOKS, PRINCIPIA, QUARTETO, QUASI, QUETZAL, QUID JURIS, QUIDNOVI, QUIMERA, QUINTA ESSÊNCIA, RELÓGIO D' ÁGUA, REPLICAÇÃO, ROMA EDITORA, SAGITÁRIO, SAÍDA DE EMERGÊNCIA, SALAMANDRA, SEBENTA, SEXTANTE, SIGNO, SÍLABO, SINAIS DE FOGO, TEMAS E DEBATES, TEOREMA, TERRAMAR, TEXTO, TEXTO E GRAFIA, TINTA-DA-CHINA, TRINTA POR UMA LINHA, ULISSEIA, ULMEIRO, VEGA, VERBO, VERDADE E LUZ, VERSO DA KAPA, VIA OCCIDENTALIS, VOGAIS E COMPANHIA, ZÉFIRO...

23.9.10

Retirada estratégica

Bem, parece que depois disto, temos isto. É o mínimo.

30.7.10

«Livros proibidos no regime fascista» (1981)


Chegou-me às mãos este livro, um levantamento (longe de exaustivo) de obras cuja circulação esteve proibida durante a ditadura. Entre elas encontramos títulos inevitáveis, como os de Karl Marx ou os de Henry Miller, mas também outros bastante surpreendentes, como um estudo de Pavlov. Livros sobre planeamento familiar, outros sobre o surrealismo, escritos de Agostinho da Silva ou de Bertrand Russel, havia um pouco de tudo na «Relação». Os Capitãs da Areia, de Jorge Amado, estava banido, assim como textos de Baudelaire, de Steinbeck e de Herberto Helder.
Não se estranha que um regime totalitário queira proibir obras de natureza explicitamente política — Tomaz da Fonseca é o campeão, com 16 livros interditos —, mas ficamos a perceber a força (também política, ou eminentemente política) da literatura quando, em estado puro, ela é suficiente para intimidar o censor, necessariamente um ignorante.
Em baixo estão três imagens de um Auto de Busca e Apreensão, de 1965, que ilustra como estas operações afectavam as editoras. (Para ampliar basta clicar na imagem.)

(últimas linhas sumidas no original)

Sublinhe-se que, além se apreenderem diversos títulos — aqui, por exemplo, são contemplados vinte e um, em que se incluem História Universal da Infâmia, de J.L. Borges, e Não Matem a Cotovia, de Harper Lee —, eram levados «para averiguação» todos os exemplares (neste caso, quase 15.000 exs.). 
Dezenas de editoras viram-se directamente lesadas pela censura; indirectamente, fomos todos nós. Que as infâmias da História fiquem na História.


Por acaso ou não, a editora que surge no relatório é a mesma que viria publicar este livro.