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3.5.13

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Já está na lista de documentários a ver. Algumas reflexões sobre o filme aqui.

9.4.13

Os e-books e a paginação

Eis o meu artigo de ontem no eBook Portugal



Num artigo anterior, expus algumas apreensões relativas ao rosto dos e-books. Agora falarei das minhas preocupações quanto ao corpo.

Todos os livros em papel são paginados. Há sempre alguém que espalha o texto pela página e lhe dá forma. Antigamente eram os compositores, nas gráficas, hoje em dia são os paginadores, ajudados por programas informáticos. As escolhas subtis que os editores e estes profissionais fazem influenciam o modo como reagimos ao livro: o tipo de letra, o espaçamento entre linhas, a largura da mancha de texto e outros factores afectam as sensações que temos ao ler, ainda que inconscientemente. O simples facto de habitualmente termos duas páginas lado a lado e de lermos da esquerda para a direita condiciona-nos muito.

A paginação nasceu com a imprensa, tem a sua tradição, as suas regras, as suas limitações e as suas fugas possíveis à norma. Um bom paginador pode entrar para a história, como Olímpio Ferreira, e deixar a sua marca pela originalidade ou perfeição. Era assim com a tipografia, assim se manteve quando a paginação passou a ser feita no ecrã, mas, no que toca aos livros digitais… não sabemos como vai ser.

Em e-books de texto corrido, a paginação deixa de existir no sentido habitual do termo, pois passamos a ter páginas dinâmicas sem grande formatação. Nos e-books ilustrados vemos que os autores e editores, em grande parte, se têm afastado do conceito tradicional de livro para tirar partido das novas potencialidades interactivas, optando por «livros animados» ou enhanced e-books (veja-se o caso de Mr. Lessmore ou do iPoe). Assim, que espaço há para a arte de bem dispor palavras na página? Graças como as que vemos neste livro da Orfeu Negro (na imagem acima), ou neste da Assírio & Alvim, serão possíveis num livro electrónico? No futuro, como serão por dentro os livros 2.0? Se um livro tem uma paginação ajustável, que se adapta às características de cada aparelho leitor o mesmo livro pode ser lido na grande tela de um iPad, na tela média de um Kindle ou na de um telemobilis vulgaris , qual o papel do paginador?

Além da questão do tamanho do ecrã, depois ainda há as preferências do utilizador quer ler o texto em que cor, em que tamanho, em que tipo de letra? As decisões unilaterais e definitivas que dantes pertenciam à editora agora cabem ao leitor. Isso é simultaneamente bom e mau: bom porque o leitor pode melhorar a sua experiência de leitura, adaptando-a aos seus caprichos e necessidades (não é óptimo que um míope, por exemplo, possa regular o tamanho da letra?); mau porque o editor e a sua equipa deixam de poder embutir no texto algumas características próprias. Ao tornar o seu produto mais universal, a editora também o torna menos especial.

Mas os e-books ainda têm de ser paginados, não é? Alguém tem de formatar minimamente o ficheiro. Ler puro texto corrido, sem hifenizações na quebra de linha, sem hierarquias de títulos e outras pequenas grandessíssimas coisas seria desagradável, tal como seria muito aborrecido lermos volumes inteiros num formato estático, estilo PDF estaríamos a cansar-nos desnecessariamente e a subaproveitar a tecnologia.

Depois há problemas que a paginação digital (fluida) levanta, tal como a falta de números de página, que pode tornar muito difícil seguir um texto em conjunto numa aula ou citar passagens em bibliografias. (As ferramentas de busca, que permitem pesquisar por determinadas palavras e chegar à passagem, são apenas uma solução improvisada.) Tudo isso acabará por ser resolvido mais tarde ou mais cedo, suponho.

Como é que actualmente se faz a paginação de um e-book? No caso dos textos corridos, não é muito difícil paginar; tira-se partido daquilo que já se usa em html: títulos, estilos, etc. No caso de «livros animados», não é bem paginação, será quase design gráfico puro/montar um filme/desenhar um jogo de computador.

Parece-me que, entre uma coisa e outra livros de texto simples e livros de conteúdo complexo   há espaço para nascerem layouts inventivos que funcionem bem em e-book e que permitam à editora moldar mais e melhor texto e imagens. Veremos layouts que se inserem num modelo «scroll down infinito», num de «páginas sequenciais» (como no livro físico), em ambos os modelos ou surgirá algo completamente diferente? Está tudo em aberto.

Até ao momento, pelo menos, a grande maioria dos livros electrónicos que tenho lido são bastante rudimentares em termos de paginação e em nenhum deles a disposição gráfica do texto é especialmente agradável e eficaz.* Lêem-se, apenas.

Tenho muita curiosidade em relação ao que aí vem. Se tiverem pistas ou ideias, deixem-nas na caixa de comentários.


*Se usar um conversor de ficheiros como o Calibre, então, a paginação dos novos ficheiros fica desastrosa, cheia de formatações perdidas. É o que acontece comigo, pelo menos (não excluo a hipótese de ser eu a parte inábil).



PS: Depois de ter escrito o artigo e pensado mais no assunto, apercebi-me de que uma das minhas perguntas é um tanto disparatada: «Graças como as que vemos neste livro da Orfeu Negro (na imagem acima), ou neste da Assírio & Alvim, serão possíveis num livro electrónico?» É claro que serão. Dará trabalho, mas sem dúvida que se consegue fazê-lo. Simplesmente, os paginadores do futuro, além da sensibilidade estética e dos conhecimentos técnicos, terão também de ser bons a programar.

10.12.12

Plataforma

O presidente executivo, o director-coordenador de edições gerais, o director-coordenador comercial e de marketing e o director de sistemas de informação da LeYa (ufa) vão inaugurar, amanhã, uma «plataforma de autopublicação* e obras digitais». Ena.

Vamos ver o que aí vem.

*A piada não é minha, mas é genial: Se os autores vão dispensar as editoras, que dispensem as nossas.


30.9.12

Avril au Portugal

Há tanto a dizer sobre isto! Os bancos de imagens, o funcionamento dos «ateliers», a manipulação de fotografias, as responsabilidades de um editor, a conturbada relação capa-conteúdo, a promoção de equívocos, o papel do humor na crítica, o diálogo do crítico com o autor... 
Gostaria de falar de tudo isto, mas, por ter muito que fazer (não é bem a novela ao lume, mas quase), só posso deixar uma pequena nota:

A editora e a equipa de Cayatte asnearam, António Araújo e muito bem apontou. O designer acusou o toque e respondeu. Óptimo. É este o efeito de uma boa crítica.
Há só um problema: a defesa de Cayatte deixa algo a desejar. Passando por cima dos aspectos «isso-não-é-uma-crítica-é-uma-ofensa» e outros, ao fim e ao cabo, o que diz é que lhe pareceu bem e aos seus clientes ilustrar um livro sobre o 25 de Abril com uma imagem do Maio de 68 porque, alegadamente, «Paris e o Maio de 68 são aí referência importante». António Araújo afirma que não, que não são referências na obra, e sou levada a acreditar.

Henrique Cayatte poderia ter dito outra coisa. Que tinha escolhido a imagem por ser evocativa da relação dos protagonistas, por não ter encontrado uma fotografia tão boa como essa, que estava ciente de que havia essa valente discrepância histórica e que a tinha assumido desde o início, que a escolhera por ser bonita, por funcionar na livraria ou por quaisquer outros motivos. A porca torce o rabo é quando se quer convencer o interlocutor de que o conteúdo do livro legitima o uso de uma imagem extemporânea. O livro chama-se Cinzas de Abril e é sobre um par que atravessa os dias da revolução em Portugal. Por muitas voltas que se dê, a acção não é sobre o par a atravessar o boulevard, a ponte 25 de Abril ou qualquer outro tempo ou lugar.

É um erro retratar ou simbolizar um acontecimento com a imagem de outro? Claro que é. Pode ser um erro que funcione visualmente e em termos de vendas, mas é um erro.
Uma capa não tem de ser, na maior parte dos casos, o resumo ou o espelho do conteúdo, mas, sempre que possível (e é sempre possível), não deve induzir em erro. Um editor, um autor e um designer, três cabeças a pensar, podiam ter pensado nisso. Não pensaram, daí a crítica. 

A coragem e a frontalidade de responder a uma crítica são atitudes muito louváveis, mas realmente louvável seria reconhecer que houve um deslize. Que o pé fugiu para o mercado, para o fácil ou para o agradável. Acontece. Às vezes, aos melhores.

Pode ser que a próxima resposta de Henrique Cayatte a António Araújo seja mais consistente. Pode ser que a próxima edição do livro saia com uma capa mais certeira.

5.7.12

Valha-nos S. Gutenberg!

A Sociedade Bíblica é o exemplo perfeito de uma empresa que vive de um único produto. Nada de muito surpreendente, não fosse uma editora. Como têm de vender muito de um só produto (em vez de pouco de muitos, o modelo de negócio da maioria das editoras), têm de ser criativos e explorar variações. 
Lançaram A Bíblia do Surfista, oferecem vários tipo de encadernação, da ganga à camurça cor-de-rosa, e promovem uma aplicação que permite ler a Bíblia no telemóvel. Mas aquilo por que ninguém esperava era esta última inovação...


De facto, na Bíblia, há coisas para todos os gostos. Mal posso esperar pela colecção de histórias de suspense, em que irmãos matam irmãos, etc.

26.6.12

Fifty Shades of qualquer coisa

Para quem ainda não sabe, o livro Fifty Shades of Gray é uma obra de fanfiction com base universo Crepúsculo (sim, aquele dos vampiros). Apresenta-se como literatura erótica e chegou aos tops de vendas, muito graças ao anonimado que o download de livros electrónicos permite. 
Não li, nem preciso; esta crítica chega e sobra para me esclarecer e fazer chorar de tanto rir. Mas, entretanto, ficam algumas questões no ar: Será a fanfiction legítima? Até que ponto se pode reciclar uma receita?


1.2.12

Sinais dos tempos


Paulo Coelho homenageado no The Pirate Bay.  
Jean-Luc Godard dá 1000 euros a um pirata multado.
Vejamos o que ai vem.

31.1.12

Wikilivros

Através do blogue Malomil, fiquei a conhecer os wikilivros que alguém anda a publicar em regime print on demand via Amazon. São compilações de artigos, feitas de modo automático (o nome das «editoras», Alphascript e Betascript, sugerem que o maestro da coisa tem ligações à informática), que agregam conteúdos vagamente assemelhados, dando-lhes a forma de livro. Há sempre uns organizadores da obra que dão o nome por aquilo, e o facto de se tratar de material da Wikipédia não é propriamente ocultado.


Na imagem acima, temos a capa de um «livro» que ora aborda um hospital militar chinês, ora fala das relações sino-japonesas de 1933 a 1936.

Porque é que alguém quereria comprar em papel conteúdo que pode obter gratuitamente on-line é coisa que me ultrapassa. Mas, com a tecnologia POD, se se vender um exemplar provavelmente a «editora» já faz lucro. Uma vez montado o programa que compila os artigos e compõe o livro, é só esperar que apareçam clientes.

Quanto às questões levantadas relativamente ao copyright, parece que é tudo legítimo. Se não é bonito andar a fazer dinheiro com conteúdo que autores disponibilizaram gratuita e generosamente, nada parece proibi-lo segundo a licença Creative Commons da Wikipédia.

Duvido que o arquitecto desta artimanha faça muito dinheiro com isto (pelo menos nestes moldes). O que me deixa apreensiva é o mecanismo. Por aqui se vê como não é difícil apanhar conteúdos que voguem na internet e usá-los para fins não inicialmente previstos.

Ver mais sobre o assunto aqui.

Campanhas II

Eis o vídeo desta campanha, disponível no canal Youtube da APEL desde meados de Dezembro.



Padre António Vox, Bono Vieira. Potato, potato.

Com o patrocínio dos Radiohead e dos livros da Babel.

5.1.12

E mais nada.

O plagiador é autor da sua própria cruz.

19.12.11

Of all the gin joints in all the towns in all the world...


Cada um tem o que merece, diz-se. Nós, se calhar, merecemos isto. Esta citação, desta  pessoa, numa campanha destas organizada por esta associação, neste país.  Mas não deixa de ser triste.

Votos de um natal lúcido e de um 2012 possível.

18.11.11

Crises

Há dez anos era assim:

Fala-se de crise da edição portuguesa e, pela primeira vez nos últimos dez anos, quase abertamente. Um inquérito recente aos editores, publicado no Jornal de Letras a esse propósito, dá bem a ideia de que existem razões para temer as consequências destes tempos, já que o futuro é sempre optimista. Há dados que convém ter em atenção: cento e cinquenta livrarias encerraram as suas portas desde o início de 1991 até aos últimos meses do ano; o número médio de venda de cada título posto à disposição dos leitores portugueses baixou consideravelmente no mesmo período, acelerando uma tendência que já se registava desde há alguns tempos; alguns editores tomaram medidas que evidenciam uma disposição clara de desinvestir, e outros preparam-nas. Nada que não tenha acontecido em sectores diversos da vida económica portuguesa, com a diferença óbvia de, nestes casos, existir uma preocupação do Estado no sentido de possibilitar saídas para as crises que se manifestaram ou manifestam.
No caso da edição, a  situação é bem diferente. O Estado português faz aprovar um Acordo Ortográfico sem ter em conta a opinião dos editores portugueses, manifestamente contrária; uma lei como a do preço fixo, que pode vir a revelar-se disciplinadora do mercado livreiro tarda em ser discutida e publicada. Exemplos colhidos de entre aqueles que convém ter em mente no início de 1992 e da adesão plena de Portugal à CEE, como reza o lugar-comum.
A vida em geral não é simples, mas a vida da edição, essa torna-se cada vez mais perigosa.

Francisco José Viegas, no editorial da Ler n.º 17, em 1992.

20.10.11

Uma nova era


A grande notícia da semana não é a Amazon avançar pela edição adentro. Previsível. Inevitável. De certa forma, já tardava. Quem tem o canal quer a fonte, quem tem a fonte quer o canal.
A grande notícia da semana — do mês, do ano? — é o passo dado pela Simon & Schuster. Este grupo editorial anunciou ontem o lançamento de um «portal do autor» onde os autores podem consultar o comportamento comercial das suas obras nas últimas seis semanas. (A Amazon já fornecia um serviço parecido, mas só dava as suas vendas).
Há muito que os autores querem participar activamente nas vidas dos seus títulos. O acesso a estes números, que vêm de diversas fontes, resultará numa transparência inédita. Tal abertura trará vantagens e desvantagens — provavelmente mais das primeiras, a julgar pela jogada da S&S.
Se por um lado este livre acesso à informação fomenta o envolvimento dos autores na fase de promoção e evita os contactos do tipo «como estão a correr as vendas da minha obra?», por outro responsabiliza imediatamente a editora e convida a contactos do género «por que motivo o meu livro não vende como esperado se fiz tudo o que sugeriram?».
Uma coisa é certa: autor e leitor ganham. O primeiro fica um pouco menos às escuras e descobre novas ferramentas, conseguindo pensar o seu livro (e os seguintes) de outras formas, o segundo lucra com o esforço.
A minha previsão é a de que com este gesto de coragem (pioneiro, tomado na devida altura, quando ainda não era inevitável) a editora ganhará também: mesmo sabendo que com isso terá alguns aborrecimentos pela frente, ao abdicar de um pouco de controlo conquista colaboração e confiança. E a confiança dos autores no trabalho da editora não tem preço.

O futuro não pertence a quem tem mais, pertence a quem faz melhor. Vejamos o que aí vem.

17.10.11

Comparações

O negócio editorial não se assemelha a nenhum outro. Por vários motivos. A começar pelo facto de não se vender muito de uns quantos produtos, e sim pouco de muitos produtos complexos. Além de o paradigma ser o da cauda longa, as estruturas das editoras e o mercado do livro desdobram-se em especificidades filigrânicas (o que pode ser, e geralmente é, um desafio infernal para o gestor que «vem de fora»).
Durante anos (na verdade, até ontem), achei que o negócio dos livros tinha características tão próprias que não havia comparação possível. Até que me lembrei de uma analogia que encaixa na perfeição em muitos pontos. Com as devidas salvaguardas, esta comparação pode permitir-nos pensar a economia do livro e a gestão das editoras de outra forma.

E que indústria é esta, com tantos paralelos com a do livro? A farmacêutica.

• Autores em domínio público = genéricos.
• Livros académicos/científicos/especializados = medicamentos específicos, que exigem investigação pioneira e dispendiosa.
• Livros de grande público = medicamentos generalistas, não sujeitos a receita médica. Como há mais concorrência, o investimento em marketing tem de ser maior.
• Professores e outros prescritores = Médicos.
• …

Depois há muitas diferenças, claro:

• O Estado comparticipa em grande escala muitos medicamentos e todos os cidadãos precisam de os tomar numa altura ou noutra, ao passo que, no livro, têm os editores de dar uma parte ao Estado (11 exemplares obrigatoriamente cedidos para distribuição pelas principais bibliotecas – o chamado depósito legal) e o cidadão só compra livros se quiser.
• Farmacêuticas e farmácias estão relativamente bem organizadas e agrupam-se em associações distintas.
• …

Porém, alguns problemas são realmente parecidos:

• Onde dantes havia pontos de venda exclusivos – livrarias e farmácias –, agora temos uma abertura ao grande mercado – hipers, lojas generalistas, parafarmácias – que é simultaneamente uma ameaça e uma oportunidade.
• Os livreiros/farmacêuticos de ontem, que aconselhavam o cliente, foram substituídos em muitos casos por pessoas sem experiência, com baixos salários e alta rotatividade, cuja única habilitação é um colete/uma bata branca.
• …

A dimensão dos dois sectores na nossa economia pode ser bem diferente (e o gestor que actua num pode revelar-se inútil no outro), mas há problemas comuns. Assim sendo, talvez as soluções sejam análogas. Olhemos então para as estratégias deste «gémeo», já muito profissionalizado, e pensemos nas lições que podemos daí tirar.

14.10.11

Injustiça poética

Com as recentes mexidas no IVA, o Governo quer dar-nos a beber vinho e a comer livros. Por mim tudo bem.

5.10.11

Cerejas

A propósito disto, lembrei-me desta bela lista, que não tendo a ver até tem. Críticos, escritores, escritores críticos e críticos escritores, a que depois ainda se juntam leitores e não-leitores. Uma grande confusão. Geralmente acerca de nada. (Neste caso, de coisa nenhuma.)



William Faulkner sobre Ernest Hemingway:
“He has never been known to use a word that might send a reader to the dictionary.”

Ernest Hemingway sobre William Faulkner:
“Poor Faulkner. Does he really think big emotions come from big words?”

10.8.11

Duas más notícias e meia

Faço por me manter optimista, mas duas destas e mais meia daquela deixam qualquer um arrumado.



1. O Facebook não serve só para clubes do livro e afins, parece que a página «I Hate Reading» tem 437,800 likes. Podem ser miúdos parvos, convencidos de que são contracorrente (que ainda não descobriram que não há muitas coisas mais gostáveis e revolucionárias do que ler), mas ainda assim... (Daqui.)

2. O caso do Pequeno Gatsby. Há os digests, e depois há isto, uma coisa indescritível e alarmante. Eu não digo que ler (ler a sério, não falo de ler a sina nem o pacote de cereais) é um acto subversivo? Isto não é um resumo ou uma versão, é um atentado. E também não é uma alternativa inocente: além de estupidificante é, sobretudo, enganadora, pois traz o título original e o nome do autor na capa.
Se em tempos conseguir ler era difícil por não haver meios, parece-me que hoje o é por haver «demais».

3. Apesar das muitas lojas pilhadas em Londres, parece que as livrarias ainda estão intactas. A grande maioria dos cidadãos leitores não faria nada do género, mas os vândalos não têm curiosidade. Ainda bem?



Obrigada, S e P!

3.11.10

Vídeoarte

Os booktrailers, que começaram por ser (pelo menos por cá) coisas toscas para promover os livros, indo buscar os leitores onde estes andavam, acabaram por ganhar em poucos anos um espaço próprio, havendo já prémios e fóruns da especialidade.

Este, em particular, cativou-me hoje a atenção. Diz respeito ao livro Soulpancake, que também tem direito ao seu próprio site, está claro.
Vale a pena fazer um vídeo (e um site!) para cada novo título? Bah, se as prateleiras já estão cheias de papel para reciclar, na rede não faltam zeros e uns supérfluos. Não se justifica tal disparate, que só banaliza o fenómeno, levando ao desinteresse generalizado. Evite-se usar o Youtube para, com uma música «emprestada», fazer fade-in e fade-out da capa do livro, alternando com uns excertos do texto ao estilo Powerpoint.
Porém, quando uma obra é especial, mesmo especial, uma verdadeira aposta, aposte-se tudo. Assim vale a pena. Contrate-se um realizador, se for preciso um produtor e demais elementos, faça-se um brainstorming generoso e, com os meios possíveis, leve-se a mensagem o mais longe que se puder. Este vídeo (um verdadeiro aperitivo), por exemplo, deixou-me cheia de apetite!