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19.12.11

Of all the gin joints in all the towns in all the world...


Cada um tem o que merece, diz-se. Nós, se calhar, merecemos isto. Esta citação, desta  pessoa, numa campanha destas organizada por esta associação, neste país.  Mas não deixa de ser triste.

Votos de um natal lúcido e de um 2012 possível.

5.12.11

Seven Bar Jokes Involving Grammar and Punctuation.


1. A comma splice walks into a bar, it has a drink and then leaves.
2. A dangling modifier walks into a bar. After finishing a drink, the bartender asks it to leave.
3. A question mark walks into a bar?
4. Two quotation marks “walk into” a bar.
5. A gerund and an infinitive walk into a bar, drinking to drink.
6. The bar was walked into by the passive voice.
7. Three intransitive verbs walk into a bar. They sit. They drink. They leave.

Por  Eric K. Auld, na MacSweeney's.

Perusing


18.11.11

Crises

Há dez anos era assim:

Fala-se de crise da edição portuguesa e, pela primeira vez nos últimos dez anos, quase abertamente. Um inquérito recente aos editores, publicado no Jornal de Letras a esse propósito, dá bem a ideia de que existem razões para temer as consequências destes tempos, já que o futuro é sempre optimista. Há dados que convém ter em atenção: cento e cinquenta livrarias encerraram as suas portas desde o início de 1991 até aos últimos meses do ano; o número médio de venda de cada título posto à disposição dos leitores portugueses baixou consideravelmente no mesmo período, acelerando uma tendência que já se registava desde há alguns tempos; alguns editores tomaram medidas que evidenciam uma disposição clara de desinvestir, e outros preparam-nas. Nada que não tenha acontecido em sectores diversos da vida económica portuguesa, com a diferença óbvia de, nestes casos, existir uma preocupação do Estado no sentido de possibilitar saídas para as crises que se manifestaram ou manifestam.
No caso da edição, a  situação é bem diferente. O Estado português faz aprovar um Acordo Ortográfico sem ter em conta a opinião dos editores portugueses, manifestamente contrária; uma lei como a do preço fixo, que pode vir a revelar-se disciplinadora do mercado livreiro tarda em ser discutida e publicada. Exemplos colhidos de entre aqueles que convém ter em mente no início de 1992 e da adesão plena de Portugal à CEE, como reza o lugar-comum.
A vida em geral não é simples, mas a vida da edição, essa torna-se cada vez mais perigosa.

Francisco José Viegas, no editorial da Ler n.º 17, em 1992.

8.11.11

Nota

Não cheguei a terminar a minha tradução do texto Words, de Tony Judt, mas em O Chalet da Memória, que acaba de ser lançado por Edições 70, esta e outras pérolas estão lá, cada uma mais lúcida e comovente do que a anterior.

3.11.11

Offshore em bom

Até há pouco tempo, nunca tinha ouvido falar desta aventura. São os GBA Ships, começaram em 1970 e vão no quarto navio. Logos foi o primeiro e atracou em Lisboa duas vezes (76 e 84). Diz quem lá foi que a novidade era completa e que os livros a bordo, numa espécie de feira flutuante, eram baratíssimos.
O objectivo da organização é levar ajuda e conhecimento a quem mais precisa. Segundo o site oficial (e não é difícil acreditar), estas feiras são, para muitos, a primeira oportunidade de comprar boa literatura e muitas pessoas sem meios para estudar puderam aprender e, consequentemente, melhorar as suas vidas através destes livros.

- 6000 títulos disponíveis, incluindo livros escolares e especializados;
- 40 milhões de pessoas a bordo desde 1970;
- Mais de 160 países e territórios visitados;
- 1400 aportagens.

É obra.

Para saber mais e, quiçá, contribuir: www.gbaships.org.

Obrigada pela história, P.!

25.10.11

Como se já não bastasse

Ter milhares de livros por ler e ainda haver outros tantos escondidos — eis uma lista de livros ficcionais dentro de livros (mais ou menos) reais.

À noite, entre os livros

Spike Jonze: Mourir Auprès de Toi on Nowness.com.

via S. :)

20.10.11

Uma nova era


A grande notícia da semana não é a Amazon avançar pela edição adentro. Previsível. Inevitável. De certa forma, já tardava. Quem tem o canal quer a fonte, quem tem a fonte quer o canal.
A grande notícia da semana — do mês, do ano? — é o passo dado pela Simon & Schuster. Este grupo editorial anunciou ontem o lançamento de um «portal do autor» onde os autores podem consultar o comportamento comercial das suas obras nas últimas seis semanas. (A Amazon já fornecia um serviço parecido, mas só dava as suas vendas).
Há muito que os autores querem participar activamente nas vidas dos seus títulos. O acesso a estes números, que vêm de diversas fontes, resultará numa transparência inédita. Tal abertura trará vantagens e desvantagens — provavelmente mais das primeiras, a julgar pela jogada da S&S.
Se por um lado este livre acesso à informação fomenta o envolvimento dos autores na fase de promoção e evita os contactos do tipo «como estão a correr as vendas da minha obra?», por outro responsabiliza imediatamente a editora e convida a contactos do género «por que motivo o meu livro não vende como esperado se fiz tudo o que sugeriram?».
Uma coisa é certa: autor e leitor ganham. O primeiro fica um pouco menos às escuras e descobre novas ferramentas, conseguindo pensar o seu livro (e os seguintes) de outras formas, o segundo lucra com o esforço.
A minha previsão é a de que com este gesto de coragem (pioneiro, tomado na devida altura, quando ainda não era inevitável) a editora ganhará também: mesmo sabendo que com isso terá alguns aborrecimentos pela frente, ao abdicar de um pouco de controlo conquista colaboração e confiança. E a confiança dos autores no trabalho da editora não tem preço.

O futuro não pertence a quem tem mais, pertence a quem faz melhor. Vejamos o que aí vem.

17.10.11

Comparações

O negócio editorial não se assemelha a nenhum outro. Por vários motivos. A começar pelo facto de não se vender muito de uns quantos produtos, e sim pouco de muitos produtos complexos. Além de o paradigma ser o da cauda longa, as estruturas das editoras e o mercado do livro desdobram-se em especificidades filigrânicas (o que pode ser, e geralmente é, um desafio infernal para o gestor que «vem de fora»).
Durante anos (na verdade, até ontem), achei que o negócio dos livros tinha características tão próprias que não havia comparação possível. Até que me lembrei de uma analogia que encaixa na perfeição em muitos pontos. Com as devidas salvaguardas, esta comparação pode permitir-nos pensar a economia do livro e a gestão das editoras de outra forma.

E que indústria é esta, com tantos paralelos com a do livro? A farmacêutica.

• Autores em domínio público = genéricos.
• Livros académicos/científicos/especializados = medicamentos específicos, que exigem investigação pioneira e dispendiosa.
• Livros de grande público = medicamentos generalistas, não sujeitos a receita médica. Como há mais concorrência, o investimento em marketing tem de ser maior.
• Professores e outros prescritores = Médicos.
• …

Depois há muitas diferenças, claro:

• O Estado comparticipa em grande escala muitos medicamentos e todos os cidadãos precisam de os tomar numa altura ou noutra, ao passo que, no livro, têm os editores de dar uma parte ao Estado (11 exemplares obrigatoriamente cedidos para distribuição pelas principais bibliotecas – o chamado depósito legal) e o cidadão só compra livros se quiser.
• Farmacêuticas e farmácias estão relativamente bem organizadas e agrupam-se em associações distintas.
• …

Porém, alguns problemas são realmente parecidos:

• Onde dantes havia pontos de venda exclusivos – livrarias e farmácias –, agora temos uma abertura ao grande mercado – hipers, lojas generalistas, parafarmácias – que é simultaneamente uma ameaça e uma oportunidade.
• Os livreiros/farmacêuticos de ontem, que aconselhavam o cliente, foram substituídos em muitos casos por pessoas sem experiência, com baixos salários e alta rotatividade, cuja única habilitação é um colete/uma bata branca.
• …

A dimensão dos dois sectores na nossa economia pode ser bem diferente (e o gestor que actua num pode revelar-se inútil no outro), mas há problemas comuns. Assim sendo, talvez as soluções sejam análogas. Olhemos então para as estratégias deste «gémeo», já muito profissionalizado, e pensemos nas lições que podemos daí tirar.

14.10.11

Injustiça poética

Com as recentes mexidas no IVA, o Governo quer dar-nos a beber vinho e a comer livros. Por mim tudo bem.

5.10.11

Cerejas

A propósito disto, lembrei-me desta bela lista, que não tendo a ver até tem. Críticos, escritores, escritores críticos e críticos escritores, a que depois ainda se juntam leitores e não-leitores. Uma grande confusão. Geralmente acerca de nada. (Neste caso, de coisa nenhuma.)



William Faulkner sobre Ernest Hemingway:
“He has never been known to use a word that might send a reader to the dictionary.”

Ernest Hemingway sobre William Faulkner:
“Poor Faulkner. Does he really think big emotions come from big words?”

Guarda-livros

À imagem da nossa Livreira Anarquista (de férias?), também temos crónicas de biblioteca. Esta em particular = ♥♥♥♥♥. (Ah, e esta lista também é muito boa.)

Histórias dos meus círculos de leitora

Recentemente deram-me a ler um excerto do História do Cerco de Lisboa. Fiquei a saber que a personagem central é um revisor e decidi que compraria o livro. Já em casa, fui à estante onde estão os saramagos e vejo que afinal o tenho. Herdei-o e não cheguei a lê-lo. Primeira edição, 1989. Folheio-o e vejo que me está dedicado por alguém cujo apelido não destrinço. José Manuel? José França? Maio de 2007. Que José me assinaria um livro cordialmente em 2007? Saramago! Foi na Feira do Livro de Lisboa, quando lhe levei alguns volumes que o entretiveram por três minutos. Não costumo pedir autógrafos, mas. Uma simpatia no trato, uma disponibilidade humilde para os leitores como nunca vi. Independentemente do que fez e disse ao longo da vida, nos últimos anos, tanto quanto a saúde lhe permitia, passava as tardes na feira, amável, ao lado do seu editor, exposto a quem quisesse interpelá-lo. Havia dias em que o parque estava deserto, mas nem por isso desanimava ou se ia embora. Circulava, ouvia o pedido ocasional e rabiscava em conformidade. Estava ali.
Comecei agora a ler a História (sorrindo a intervalos ao pensar que, no ano em que nasci, o autor trabalhava para a editora em que agora trabalho). Quando acabar conto como foi.

Food for thought

Dá que pensar.

22.9.11

Acordeão ortográfico

Já pensei muito nisso, acabando vencida pelo cansaço.
Seja como for, o argumento de o acordo aproximar os portugueses de Portugal e do Brasil jamais colará. Veja-se este exemplo flagrante.

21.9.11

31.8.11

Para compensar o silêncio

Aqui fica este mimo da spoken word.



Mais?



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Paragem temporária. Trabalhos em curso.

10.8.11

Duas más notícias e meia

Faço por me manter optimista, mas duas destas e mais meia daquela deixam qualquer um arrumado.



1. O Facebook não serve só para clubes do livro e afins, parece que a página «I Hate Reading» tem 437,800 likes. Podem ser miúdos parvos, convencidos de que são contracorrente (que ainda não descobriram que não há muitas coisas mais gostáveis e revolucionárias do que ler), mas ainda assim... (Daqui.)

2. O caso do Pequeno Gatsby. Há os digests, e depois há isto, uma coisa indescritível e alarmante. Eu não digo que ler (ler a sério, não falo de ler a sina nem o pacote de cereais) é um acto subversivo? Isto não é um resumo ou uma versão, é um atentado. E também não é uma alternativa inocente: além de estupidificante é, sobretudo, enganadora, pois traz o título original e o nome do autor na capa.
Se em tempos conseguir ler era difícil por não haver meios, parece-me que hoje o é por haver «demais».

3. Apesar das muitas lojas pilhadas em Londres, parece que as livrarias ainda estão intactas. A grande maioria dos cidadãos leitores não faria nada do género, mas os vândalos não têm curiosidade. Ainda bem?



Obrigada, S e P!

27.7.11

Babel


Não é, mas podia ser.

Daqui.

Dizer a poesia

Depois deste, há mais vídeos:


&


Mesmo quem não gosta - de poesia e/ou de recitação -, tem aqui um documento.

Ícones










Mais aqui.

26.7.11

Adiante, comandante.

Para a frente é que é o caminho!
Quanto mais leio os brasileiros mais me agrada a diversidade dos seus pontos de vista. É que sem barulho não se faz música. Gostamos muito de concordar, mas se num meio meio reaccionário não se discute não chegamos a lado nenhum. Antes cair como Ícaro do que ser engolido p'lo tédio, pá.

5.7.11

Leituras de Verão


À porta de uma mercearia, em Santorini.


Obrigada, M.!

3.7.11

Até Orwell merece uns cortes*

Não no orçamento. Na escrita. Uma boa edição de texto faz milagres. Como um bom corte de cabelo mas vezes mil.

A verdade é que é difícil dizermos o que pretendemos à primeira. Repetimo-nos, enganamo-nos, trocamos a ordem das ideias, esquecemo-nos do leitor e com a má forma podemos aniquilar o conteúdo.
Porém, sentido crítico, familiaridade com a(s) língua(s), cultura geral e talento para a cirurgia podem ressuscitar um texto.
É difícil para o paciente, que nem sempre tem a paciência necessária. Mas para o operário das obras também não é fácil. Para o primeiro, o segredo é confiar. No caso do segundo, o truque é ser-se alternadamente protector, crítico, impiedoso e criativo.

Protector para com o leitor, para com as suas expectativas, respeitando o tempo e o dinheiro que ele despenderá com o texto, mas também para com o autor/tradutor, que cairia no ridículo se certas coisas chegassem a público, e ainda para com a editora, que acolhe a obra.
Crítico para com o autor/tradutor, que são humanos e, naturalmente, falham, e para com o próprio, medindo as medidas tomadas.
Impiedoso para com o texto, fazendo o bem sem olhar a quem, avançando com coragem e razão.
Criativo nas soluções propostas, procurando beneficiar todas as partes sem ferir susceptibilidades.

Há que respeitar as intenções do autor/tradutor, as ideias no texto, as necessidades do leitor. E no meio de tudo isto manter-se invisível.
É difícil para o autor/tradutor admitir insuficiências e perfilhar passagens que não são suas.
É difícil para o revisor/editor de texto, que tem de recorrer à negociação permanente (e que deixará de conseguir ler seja o que for em paz).
A editora faz de árbitro e se o fizer bem não ficará a perder.

Se tudo correr bem, no fim ganham todos, especialmente os leitores.

Se os editores de texto fazem falta hoje? Por Zeus, mais do que nunca!


* Writing naked (nakeder than Orwell)

23.6.11

Original nacional

Há coisas demasiado boas para deixar escapar. Há pessoas demasiado tolas que as deixam fugir. Eis uma das melhores ilustrações que vi nos últimos tempos:

Esta ilustração pertence a uma série e representa - de um modo genial, digo eu - a tonicidade silábica. Foi uma proposta concebida por Catarina Sobral para um «livro de aferição de exames», proposta essa recusada. Enfim (*suspiro*). Os livros escolares - tão electrónicos - podiam ir formando e refinando a literacia visual se quem decide tivesse sensibilidade e bom senso. Felizmente, como há olhos atentos, os talentos não se desperdiçam e vão parar a boas mãos. Em breve, a Orfeu Negro (na chancela Orfeu Mini) publicará um livro seu. Mal posso esperar. :)
Viva a justiça poética! Vivam os ilustradores portugueses! Viva o ponto de exclamação!

Nós narrativos

Para quem não conhece Augusto Monterroso, a Angelus Novus publicou recentemente A Ovelha Negra e Outras Fábulas. [Obrigada, Juva!]

16.6.11

Os livros são quê?

Não me parece que venha a ter muito tempo nos próximos tempos. Contudo, tenho há muito a intenção de deixar aqui no blogue umas quantas ideias sobre edição e respectivos satélites. Alguns dos tópicos são a arte e o livro (ou vice-versa), o papel do editor, o que faz um assistente editorial ou a tentativa de provar que os livros não são/estão caros. Como tenho de começar por algum lado, escolho esse último tema: «Os livros são caros».


Não recuarei tanto a ponto de perguntar «o que é um livro?», mas há que restringir o âmbito para não perdermos o fio à meada. Para poupar tempo e avançar com a discussão, partamos do princípio de que estamos a falar de um objecto impresso com 200 páginas, de capa mole, com 24 cm de altura e 14 largura.

«Os livros são/estão caros.» - De que livros estamos a falar?

A meu ver, definitivamente, os livros não são/estão caros na sua generalidade; só alguns, especializados, estão mais inflacionados. Falo do livro técnico (compêndios médicos, manuais jurídicos, teses de doutoramento), talvez do escolar, e pouco mais. Nestes casos, a editora pode esticar a sua margem, pois sabe que há procura e que o público-alvo tem (ou tem de ter) poder de compra.

«Os livros são/estão caros.» - Para quem?

Não vivemos num país rico. Este não é um país grande, nem com muitos leitores. O facto de sermos pequenos a vários níveis condiciona os preços, pois há a questão da escala. Em França (país mais rico, com 62 milhões de habitantes e muitos leitores), as tiragens médias são três e quatro vezes as nossas (pois há, no mínimo, cinco vezes mais leitores), o que reduz dramaticamente o custo unitário, o que, por sua vez, se reflecte no preço final.
Num país como o nosso, o livro pode parecer um bem de luxo para alguns. Mas não é, e passo a explicar.

«Os livros são/estão caros.» - Em relação a quê?

Suponhamos que o livro de que acima falámos tem um preço de venda ao público de 20€ (para termos um número redondo). Partamos do razoável princípio que se lermos meia hora por dia, num mês temos o livro lido. Ora, 0,5 horas x 30 dias = 15 horas. 15 horas de entretenimento e/ou aprendizagem (caso o livro que tenhamos escolhido seja interessante e o tenhamos lido até ao fim). 20€ ÷ 15 horas = 1,33€. Que outra fonte de entretenimento/aprendizagem tem um valor por hora tão baixo? Talvez a televisão. Mas além do que pagamos por ela, toleramos anúncios e outros conteúdos que não nos interessam na maior parte do tempo. O cinema e o teatro, em comparação, parecem exorbitantes. Se além do espírito quisermos exercitar o corpo, um ginásio cobra-nos uma mensalidade que daria para comprar muitos livros.
Aqui, há que acrescentar que há centenas e centenas de bons livros a 6€ - o preço de um bilhete de cinema. 15€ é o preço de um jantar. 30€ são uns sapatos baratos. Um livro deu muito trabalho a confeccionar, é património que fica, ao qual se volta sempre que se quer, que pode ser legado, revendido, etc.
Quem não pode comprar as novidades caras, tem sempre livros em domínio público na internet, livros em segunda mão nos alfarrabistas, feiras do livro (com descontos de 20 a 50%) e, sobretudo, bibliotecas.
Curiosidade: por cada título que lança, a editora tem de dar ao Estado 11 exemplares para este os distribuir pelas bibliotecas mais importantes do país. Além da complexa tarefa de fabricar livros e tentar vendê-los, a editora cumpre ainda esta obrigação para com todos os cidadãos, que é disponibilizar-lhes, gratuitamente, o seu trabalho.

Analisemos agora alguns equívocos que pululam em conversas quotidianas.
O diálogo que se segue é real e foi tido no Facebook há umas semanas entre compradores de livros na casa dos 30 anos. São pessoas com formação superior e que lêem em inglês (uma minoria, se olharmos para as estatísticas do país). Opinam com base no seu senso comum e desconhecem a complexidade do funcionamento de uma editora. (Ah, e aquelas contas finais são um total disparate.)

XY: Fui comparar os preços dos livros comprados em promoção na feira do livro com os preços no book depository. Foram todos mais caros, e por 3 livros paguei 10 euros a mais, 67% mais caros... :(
BP: O q é o book depository?
RM: Pensa pela positiva, estimulaste a economia nacional comprando cá.
PA: Comparações com o Book Depository (site de venda de livros) são injustas. Está bem que o preço dos livros em Portugal deviam ser mais baixos, mas, desde que o preço seja razoável e sejam livros que encontro por cá, não me custa pagar mais uns euros, sem comparar com sites que sei que apresentam preços *muito* baixos.
BP: Obg. :)
JP: são injustas? como assim? os livros são os mesmos. mais uns euros? eu paguei mais 67% em livros que supostamente estavam em promoção. Imagino que se não estivessem em promo, custavam o dobro do preço. a unica injustiça seria para o bookdepository uma vez que é uma loja,
e não uma editora. Ao comprar directamente a uma editora, deveria estar a pagar menos por não haver intermediário.
TG: Conseguem ser mais baratos que na Amazon.co.uk.
PA: Quando as lojas portuguesas (cujos preços afectam certamente os que as próprias editoras praticam na Feira) venderem o mesmo volume que lojas online como o book depository e amazon, entao podemos ir olhar para o IVA dos livros e discutir se os preços em Portugal sao "justos". Até lá, as diferenças de preços parecem-me lógicas, apesar de poderem às vezes ser desanimadoras.
JP: não há uma discussão do IVA, uma vez que o IVA pago é o de Portugal, no bookdep como na Amazon. Vivemos numa economia global e numa união económica de livre comercio e concorrência, e se é igualmente fácil e a metade do preço comprar no bookdepository, eu nem vou pensar 2 vezes e comprar no Bookdep. os preços das editoras tem de ser competitivos com o resto das lojas que estão disponíveis ao consumidor, ou então tem que ganhar o dinheiro de outra forma, prestando outro tipo de serviços, melhor qualidade, alguma mais valia que justifique o dobro do preço.
PA: Tu não estás a comparar os preços de edições portuguesas com os das edições originais, pois não? É que só as diferenças de tiragens de uma versão USA do "The Road" com as da portuguesa afectarão bastante o preço base.
TG: P., os preços dos livros em Portugal podiam ser mais baratos. Segui de perto desde a escrita ate ao lançamento do livro de um amigo meu. 2E por livro vendido para o autor; 3.8E para a impressão; 0.3E por livro para a distribuição; 500E para o revisor; numa edicao de 3000 exemplares da 0.17E; e um preço de lançamento de 26E. 2E+3.8E+0.3E+0.17E=6.27E, sabendo que a livraria tinha um ganho de 15% sobre o preco de capa a editora tinha um lucro de 15.83E por livro. Mesmo que a editora so vendesse 75% dos livros o lucro seria de 10.30E por livro vendido.

Primeiro: Em Portugal temos a Lei do Preço Fixo, que, salvo excepções, não permite que um livro seja vendido com mais de 10% de desconto sobre o preço inicialmente fixado pela editora nos primeiros 18 meses após a sua publicação. No estrangeiro, o editor fixa um valor mas há liberalização do preço - os canais de venda podem escolher abdicar da sua margem de lucro para baixar o preço do livro e, assim, chamar mais clientes.
Segundo: O Bookdepository vende livros baratos (os de massas, sobretudo) porque estão na sua edição original, vendem para um mercado enorme e, o mais das vezes, em edições já de si baratuchas (paperbacks em papel cinzento, com letra miúda, etc.). Se compararmos os preço dos livros cartonados cá e lá, ficam quase sempre ela por ela.
Acresce a isto o facto de nem sempre querermos ler um livro na versão original e preferirmos a tradução. Compro livros na Amazon, onde encontro pechinchas, e no Bookdepository, onde não pago portes de envio, mas compro quase sempre livros nas nossas livrarias ou directamente aos editores (via site ou feira do livro). Tudo depende da ocasião, da oferta, do que for mais competitivo e do tempo que estou disposta a esperar.
Terceiro: A edição é um trabalho duro, a concorrência é feroz e a venda dos livros tem de pagar toda a estrutura da empresa. Se a editora não tem distribuição própria, tem de pagar a uma distribuidora que, juntamente com os canais de venda, fica com (praticamente) 60% da facturação (-6% IVA) e que não garante o armazenamento dos livros (encargo esse que, com o tempo, se torna monstruoso). Se tiver distribuição própria, tem de pagar salários a delgados comerciais e todo o custo da logística. Em Portugal, as livrarias ficam em média com 35-40% do PVP (-6% IVA). Repito: 35-40%. 50% no caso dos hipermercados. Os autores ficam, em média, com 10% do PVP (-6% IVA). Com o que sobra, o editor tem de pagar a renda, os salários, o trabalho de tradutores, revisores, paginadores e designers, gráficas, despesas correntes (telefones, manutenção do site, quotas de associado da APEL, ...), armazenamento dos livros, etc.
E a verdade é que muitas vezes as editoras perdem dinheiro com a publicação de um livro. Apostar na publicação de um autor implica riscos. Mesmo que uma editora não recupere o investimento que fez (ah, o break-even... essa miragem), tem de pagar royalties sobre os exemplares vendidos.
Portanto: Comparar realidades incomparáveis (preços dos livros de uma editora portuguesa numa livraria nacional vs livros na sua versão original numa livraria on-line no estrangeiro) é precipitado/injusto/preguiçoso/inútil/outro (riscar o que não se aplica).

As editoras põem comida no prato de muitas pessoas. O preço dessa cadeia de valor reflecte-se inevitavelmente no preço do livro para o consumidor. Ainda assim, se virmos bem, os preços praticados estão longe de ser abusivos.

«Os livros são/estão caros», passo a vida a ouvir. Na maioria dos casos será só mais uma desculpa como «não tenho tempo para ler».

Admirável mundo nosso

Afinal, parece que a poesia também se lê bem num ecrã. E este poema, pejado de referências, presta-se na perfeição às hiperligações e outros malabarismos. Mas, assim, será ainda o mesmo poema?

NB: Na lista do artigo, «The Waste Land» ultrapassa mesmo a aplicação Our Choice.

PS: A propósito de textos, livros, aplicações e outras complicadas definições, para que servirá isto?...

25.5.11

Nomes próprios

I've got the name for our publishing house. We just said we were going to publish a few books on the side at random. Let's call it Random House.
Bennett Cerf, co-fundador da Random House (25.05.1898 - 27.08.1971)


Hm...

& ETC, 101 NOITES, 7 DIAS 6 NOITES, 7 NÓS, 90 GRAUS, A ESFERA DOS LIVROS, ABRIL, ACADEMIA DO LIVRO, ACTUAL, AFRODITE, AFRONTAMENTO, AHAB, ALÊTHEIA, ALFA, ALFABETO, ALFAGUARA, ALMEDINA, AMBAR, ÂNCORA, ANGELUS NOVUS, ANTAGONISTA, ANTÍGONA, AQUÁRIO, ARCÁDIA, AREAL, ARGUMENTUM, ARIADNE, ARTE PLURAL, ASA, ASSÍRIO & ALVIM, ÁTICA, AVANTE!, AVERNO, BAGS OF BOOKS, BE-A-BA, BERTRAND, BICO DE PENA, BIZÂNCIO, BLACK SON, BLAU, BOCA, BOOKSMILE, BOOKTREE, CADERNO, CAIXOTIM, CALEIDOSCÓPIO, CALENDÁRIO DE LETRAS, CAMINHO, CAMÕES E COMPANHIA, CAMPO DAS LETRAS, CÃO MENOR, CASA DAS LETRAS, CASA DO SUL, CAVALO DE FERRO, CHÁ DAS CINCO, CHIADO, CHILLI COM CARNE, CÍRCULO DE LEITORES, CIVILIZAÇÃO, CLÁSSICA, CLIMEPSI, CLUBE DO AUTOR, COIMBRA, COISAS DE LER, COLIBRI, COMPANHIA DAS ARTES, COMUNICAÇÃO, CONFLUÊNCIA, CONTEXTO, CONTRA-MARGEM, CONTRAPONTO, CORPOS, COSMOS, DAFNE, DE MÃOS NO FOGO, DESABROCHAR, DEVIR, DIDÁCTICA, DIFEL, DIFERENÇA, DINALIVRO, ECOPY, EDI9, EDICARE,
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21.5.11

Grande troca de livros - um balanço







Começou às 11h10 e durou até às 14h, altura em que fomos almoçar. As pessoas foram aparecendo, conversando, propondo trocas, apreciando a vista, bebendo refrescos na esplanada do quiosque. Fomos menos do que imaginara, mas correu às mil maravilhas. Ainda ofereci livros, recebi uns de bónus também. (A esperança de me desfazer do volume de livros não se cumpriu.) A qualidade da oferta presente surpreendeu: Maria Gabriela Llansol, John Cheever, Eça...
Livrei-me de: António Lobo Antunes, Miguel Sousa Tavares, Jorge de Sena, Süskind, entre outros. Trouxe: Breton, Mishima, Cesário Verde, livros de arte e design, um Saul Bellow, um Beatriz e Virgílio, um Prestígio, e muitos, muitos mais.
Fiquei com taaaantos ainda: Sade, Platão, Margarida Rebelo Pinto, O Mundo de Sofia, Henry Miller, Heidegger, romances históricos novos, uff!...
Para a próxima levo-os de novo a passear. Sim, porque espero que possamos repetir em breve, ainda com mais participantes. Que dizem? Para o mês que vem ou lá para Setembro?


Contra capas não há argumentos

Daqui.

20.5.11

ahahahahahahahahah

ahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahah [pausa para respirar] ahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahah ahahahahahahahahah [nova pausa] ahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahahah [recuperar o fôlego, respirar fundo e descansar].

Para quem não viu a graça nisto, pronto, leia isto. [Se sofre do coração, cuidado. Livreira anarquista, I heart you.]

Cover to cover #2


Antes do Voilà!

9.5.11

Hora H

Rumei à feira, como sempre, desta feita de mochila e tudo, para evitar as mãos ocupadas com sacos. (O que me valeu olhares de soslaio por parte dos seguranças nalgumas praças.) Ansiosa pela Hora H, de lista em riste, vejo que nem todos os pavilhões estão preparados para ela no momento de começar. A dita hora passa a correr e perde-se muito tempo com perguntas evitáveis (oh! o que seria de nós se a informação fosse mais explícita!) e filas para pagar. Surpresa das surpresas reservada para o final: 15 minutos antes da feira terminar, há pavilhões em que se faz a caixa, recolhem as abas laterais e guardam livros, num cenário desolador, que faz com que o visitante sinta que anda aos restos.
Estive muitos anos desse lado e sei que o cansaço de um dia longo é por vezes avassalador; porém, a Hora H traz muita gente à feira e pode ser bem animada. Todos os vendedores com quem falei e cujas editoras participam na iniciativa dizem que nesse horário há maior afluência. Então o que se passa? Fazem os descontos contrariados? Não estão interessados em vender mais um pouco? Não vale a pena fazer o esforço pelo visitante - também ele cansado e ao frio, mas que saiu de casa para ir comprar livros? Ou será tudo isto grande escrúpulo em cumprir os horários de encerramento?
É nestas coisas, quer-me parecer, que tudo se perde. Na hora H volta-se costas ao potencial, desiste-se, não se faz aquele esforço extra.

Ficaram livros por comprar e voltarei lá esta semana. Gostava mesmo de retirar o que escrevi.

2.5.11

Já na agenda!



Lá estarei, com pilhas de livros para a troca.

1.5.11

O Natal está já aí

Presentes, anyone?

Tempo

Mal posso esperar para ter tempo.

Cover to cover #1

Eis um exemplo de como se faz a capa de um livro.

Ciclos

Não são só as «pequenas» que fecham, as «grandes» também. Com mais estrondo e tudo. E por vezes com sentido de humor.

E depois há outras que nascem, estranhas, que dão que pensar.

14.4.11

Coisas boas que até nos fazem esquecer as alergias


Aqui está uma que vale por muitas.

Cartas de despedida

Essas, como esta, não sei porquê, nunca são ridículas.

3.4.11

re-cover


Há mais aqui.

Com umas quantas letrinhas apenas

Soube agora que, sem saber, ando há anos a contribuir para tornar inteligíveis textos ilegíveis por máquinas, ressuscitando-os e dando-lhes mais sentido. Eu bem suspeitava que muitas das ditas palavras eram mesmo palavras.
Fico naturalmente satisfeita por saber que enquanto combato spam provando a minha humanidade estou também a contribuir para uma causa. Mas é uma boa causa? E porque não soubemos disto antes?

2.4.11

Cantinho de mim mesma

A Antonia Eiriz

Felices los normales, esos seres extraños.
Los que no tuvieron una madre loca, un padre borracho, un hijo delincuente,
Una casa en ninguna parte, una enfermedad desconocida,
Los que no han sido calcinados por un amor devorante,
Los que vivieron los diecisiete rostros de la sonrisa y un poco más,
Los llenos de zapatos, los arcángeles con sombreros,
Los satisfechos, los gordos, los lindos,
Los rintintín y sus secuaces, los que cómo no, por aquí,
Los que ganan, los que son queridos hasta la empuñadura,
Los flautistas acompañados por ratones,
Los vendedores y sus compradores,
Los caballeros ligeramente sobrehumanos,
Los hombres vestidos de truenos y las mujeres de relámpagos,
Los delicados, los sensatos, los finos,
Los amables, los dulces, los comestibles y los bebestibles.
Felices las aves, el estiércol, las piedras.

Pero que den paso a los que hacen los mundos y los sueños,
Las ilusiones, las sinfonías, las palabras que nos desbaratan
Y nos construyen, los más locos que sus madres, los más borrachos
Que sus padres y más delincuentes que sus hijos
Y más devorados por amores calcinantes.
Que les dejen su sitio en el infierno, y basta.


Roberto Fernández Retamar

1.4.11

As linhas com que as histórias se cosem

Derek Sivers esteve numa palestra de Kurt Vonnegut e trouxe de lá uns belos apontamentos.
Ora espreitemos.





PS: Não sei quanto a si, leitor desse lado do espelho luminoso, mas cá a minha vida real não é nada como a da figura de baixo - é mais como a de cima (acho que porque lhe presto atenção). Ou quando muito seria como a de baixo, mas vista ao longe, porque o meu dia-a-dia é de Cinderela.

8.3.11

Apagão


Obrigada, Pedro!

Delícias

Coisas assim.

: )

Ideias para passeio


num fim-de-semana prolongado.

A polémica Mark Twain

Como anunciado aqui, escrevo hoje sobre a controversa reedição de The Adventures of Huckleberry Finn e Tom Sawyer que substitui a palavra «preto» por «escravo». Quem não está a par, pode ler este artigo e ficar com uma ideia do que se trata.
É bem sabido que os Estados Unidos têm um problema com a «N-word» e que esta versão politicamente correcta só podia redundar numa chuva de críticas. Contudo, pus-me a pensar nos argumentos e não consigo deixar de concordar com a defesa do advogado do diabo. Quanto mais penso nisso, mais penso para mim «porque não?»
Fala-se da sacralidade do objecto literário, puxam-se os galões ao génio (como se ele precisasse), fala-se da História na história e mete-se o Dr. King ao barulho. Mas quanto mais penso nisso, mais penso para mim «porque não?»
O texto é de leitura obrigatória - mesmo quando não consta dos programas, ai de quem não a tiver lido -, já faz parte da cultura. Porém, também o desconforto diante de certas palavras faz parte da cultura e nem por isso é mais agradável. Dos leitores desta obra, massa anónima, adolescente e não só, constam brancos e negros, ricos e pobres. Muitos leitores sentirão desconforto ao lerem hoje, e tantas vezes, uma palavra que os ofende. Palavra escrita com uma intenção e que faria parte de um contexto, mas que, ainda assim, repugna.
Se uma edição substitui deliberadamente uma palavra com um passado e um presente pesado por outra - não menos dramática, mas menos problemática e até bastante problematizante -, desde que o faça com a devida advertência - até um prefácio! - não me parece nada mal.
A leitura que faço dessa opção não é tanto política, é mais empática. E por isso me parece válida.

Torneio literário


Isto sim.

Estética Felina


Cover lover #4



19.2.11

Meet the Classics



Campanha publicitária da Penguin para promover os clássicos.




Para saber mais, clicar aqui.


6.2.11

Sebastião Rodrigues

Para quem não conhece, é obrigatório dar um pulo aqui.

Considerado «o Pai do design português», com uma obra extensíssima, em particular no que toca à edição, é autor de capas históricas, como as que vêem em baixo.

O que mais impressiona, além de tudo, é o quão portugueses eram os seus projectos.























Além das imagens, deixo-vos um curioso testemunho do próprio:




Jorge Silva Melo, citado por Pedro Marques, escreveu sobre a perenidade das suas criações.

Entretanto, Jorge Silva [Silva! designers] tem um blogue, que relembra o nosso design. A seguir (e a recordar), pois com certeza.

2.2.11

Sem título

Auto-retrato de Borges, já cego.

E outros desenhos de outros autores.